26 de dez de 2012

[Quadrinhos] Dylan Dog #004 - Ed. Mythos

Aproveitei que a edição 4 de Dylan Dog publicada pela Mythos é uma das minhas favoritas e resolvi fazer o scan logo. Essa história foi publicada na edição 66 italiana de Dylan Dog.

Sinopse: O Detetive do Pesadelo descobre que o pano de fundo desta edição é uma arrepiante partida de xadrez com a Morte, a qual, a cada movimento vitorioso, leva uma vida de um ente querido ou conhecido. Coisas inimagináveis começam a acontecer e termina em um desfecho não menos espetacular!

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[Quadrinhos] Dylan Dog #003 - Ed. Mythos

Mais uma Dylan Dog, agora a edição nº 3 lançada aqui no Brasil pela editora Mythos, que equivale ao nº 22 italiano. Espero que gostem.

Sinopse: Numa pacata e sonolenta cidade do interior da Inglaterra, um jovem não consegue dormir e resolve dar uma caminhada, não antes de tomar "emprestada" uma metralhadora da loja de armas da família. Nesta mesma noite, num parque de diversões, ele provoca um pequeno massacre. Com a chegada da polícia e o exército ingleses, o jovem atirador refugia-se no trem-fantasma com uma refém, e exige a presença de um certo detetive de Londres, chamado Dylan Dog.

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7 de dez de 2012

[Literatura/Nostalgia] Stephen King, Sob a Redoma e afins



Esse ano de 2012 em questões de leitura vem sendo um ano bastante bom pra mim. Li alguns livros que já figuram entre os meus favoritos, como por exemplo: “Sobrevivente” do Chuck Palahniuk, “A Tormenta de Espadas” do George R. R. Martin e “O Poderoso Chefão” do Mario Puzo. Foi um ano bom também porque li alguns livros do Stephen King que eu já queria ler há algum tempo e nunca tinha tempo (leia-se dinheiro) pra isso. Na verdade eu tenho um número até razoável de livros do Stephen King, mas sempre me faltou um pouco de coragem de lê-los, mesmo eu gostando muito do autor devido às adaptações cinematográficas. Gostava e tal, mas acabava sendo um negócio meio poser, já que os livros mesmo eu não lia. Pra não dizer que nunca tinha lido nada eu já tinha lido “Os Olhos do Dragão” e “O Iluminado", que por sinal a leitura deste último fez eu achar a adaptação do Stanley Kubrick extremamente ultra valorizada. Quase terminei de ler "O Talismã”, mas parei por algum motivo e isso já faz quase 10 anos, então, se for voltar a ler, vou ter que começar do começo.

“Os Olhos do Dragão” eu li graças a uma ida ao cinema. Estava esperando a seção iniciar e fui com meu pai a livraria. Lá vi um livro com um olho reptiliano vermelho me olhando e comecei a dar uma folheada. Acabou que antes do filme começar eu já tinha lido umas 50 páginas e esperneei até meu pai comprar. Li, gostei, mas achei muito infantil a história medieval do livro, mas como na orelha dizia que ele tinha escrito pro filho (ou era filha? Stephen King tem filha? Boa pergunta.) dei um desconto.


Um tempo depois, em 2004 se não me engano, começaram a sair nas bancas uma coleção da Planeta DeAgostini com os livros dele. Como o preço era razoável (mais barato que os da livraria pelo menos) e era capa dura comprei o primeiro volume, “O Iluminado”. Esse livro sim parecia com a ideia que eu tinha de Stephen King e foi uma leitura excelente. Me ajudou bastante na época do vestibular a relaxar e tá entre os livros dele que eu mais gosto. Talvez seja por isso que eu não gosto da versão do Kubrick. Acho que ele mudou muito da essência do livro. Deixou de ser a luta do menino sensitivo contra o hotel cheio de energia maligna, pra se tornar o Jack Nicholson ficando doido e tentando matar a família. Mas tem quem goste, então vamos em frente. Além de “ O Ilumindado” ainda comprei os 3 ou 4 volumes seguintes até que minha fonte de renda inexistente à época reclamou e tive que parar de comprar. 

Apesar de ter comprado esses outros livros nunca cheguei a lê-los. Tentei ler “Christine”, mas nunca avancei muito. Na verdade, na verdade, não li muita coisa nesse período. O que mais li foi Bernard Cornwell e mesmo assim muito pouco, tudo graças ao liseu típico de estudante e à falta de tempo (Engenharia é pra quem tem coragem amigo, não é pra todo mundo não). Só fui voltar a ler com mais afinco quando a faculdade estava chegando ao fim, lá por 2009, e começou a diminuir o tempo lendo os livros técnicos. Com a retomada da leitura resolvi conhecer outras histórias do mestre King.

De 2010 pra cá li 7 livros dele e a cada livro que leio só aumenta minha admiração por ele. É incrível a criatividade dele. Cada livro que você pega pra ler é uma surpresa porque não há fórmulas como acontece com alguns autores (sim, estou falando de Dan Brown que eu gosto, mas escreve sempre mais do mesmo), cada livro tem uma identidade própria e é singular, podendo ter elementos parecidos com algum outro, mas no geral sendo único. Dos que eu li, “Zona Morta”, “O Cemitério” e a “A Hora do Vampiro" estão entre minha leituras preferidas não só de terror, mas no geral. Zona Morta, por exemplo, tem uma das personagens mais carismáticas, em minha opinião, de toda literatura, o John Smith. A cena dele com a namorada no parque antes da tragédia que acontece com ele é simplesmente deliciosa de se ler


O mais recente livro dele que eu li foi o “Sob a Redoma”, um calhamaço de mais de 900 páginas, mas que já se juntou aos três citados anteriormente na minha lista de preferidos dele. Apesar do grande volume de páginas não tem como o livro não ser devorado. A leitura é muito agradável e mantem um ritmo frenético do começo ao fim. O próprio Stephen King cita isso em algum lugar do livro, agradecendo a sua agente por garantir que ele mantivesse o pé embaixo o tempo todo, e é realmente assim que você se sente, como se ele estivesse dirigindo a 140 km/h numa rodovia super movimentada.


“Sob a Redoma” mostra os dias que se seguem após um misterioso campo de força isolar completamente do mundo exterior a pequena cidade de Chester’s Mill, no Maine. Só que a “redoma”, como fica sendo conhecido o misterioso campo de força, não é algo que vai aparecendo devagar, com o conhecimento de todos, garantindo que a população se adapte a isso. Não, um segundo ela não está lá e no outro, de repente, está e é por causa disso que o livro já começa com um ritmo frenético, pois assim que a redoma aparece os seus efeitos já são sentidos graças a um acidente de avião. Dai pra frente é tragédia atrás de tragédia enquanto as pessoas se acostumam com a nova situação.

O livro em si não é um livro de terror, já que não tem nenhuma entidade fantasmagórica, nenhum monstro ou algo do gênero. É mais um suspense psicológico onde o monstro é o próprio homem. Como sempre acontece numa situação de crise têm sempre aqueles sedentos por poder que tentam se aproveitar da situação pra lucrar em proveito próprio. Em “Sob a Redoma” não é diferente. Enquanto grande parte da população não tem a menor ideia do que fazer, nem se sente com forças pra agir, o segundo vereador da cidade (no começo do livro explica o sistema de governo nas pequenas cidades do Maine pra situar o leitor), James "Big Jim" Rennie, tenta controlar a situação de maneira que ele possa se beneficiar ao máximo, nem que ele tenha que tomar decisões que só gente do naipe de Hitler e Mussolini tomaria. Para se contrapor a Big Jim e tentar por ordem na cidade temos Dale "Barbie" Barbara, um ex-tenente e agora chapeiro da lanchonete da cidade.


A história é muito bem escrita e com uma pesquisa bastante boa sobre o que poderia vir a ocorrer com as condições atmosféricas dentro da redoma dando credibilidade ao livro. Outro ponto que eu gostei do livro foi o final, porque eu passei o livro inteiro morrendo de medo que ele estragasse tudo no fim. Na minha cabeça eu só via dois finais possíveis: em um a redoma sumia tão de repente quanto voltou e o povo ia ter que se acostumar de volta à situação de antes, e no outro, ela nunca sumia e todos morriam porque uma hora o oxigênio acabava. Mas pra minha surpresa o final é de deixar você sem fôlego num clímax hiper ultra mega tenso e termina numa explicação boa levando-se em consideração o que ele fala durante todo o livro. Não é O final, mas pra Stephen King, que tem fama de não saber escrever finais, é um final muito decente pra um excelente livro.

Ainda em tempo, esses dias eu vi que o livro vai ser adaptado em uma série de 13 episódios pelo canal americano CBS. É torcer pra ficar fiel ao livro, porque se ficar vai ser muito boa.

5 de dez de 2012

[Desenhos/Nostalgia] Mania em japonês legendado


 
Eu costumo ser uma pessoa com fases de manias. Já tive fase de querer jogar todos os jogos de PS2 existentes, já tive uma de querer ter todos os mangás que saiam nas bancas, de querer ver todos os filmes de terror possíveis, de ler todos os quadrinhos da Vertigo, de ver um zilhão de séries ao mesmo tempo (a mania atual), etc. Uma coisa comum a todas as elas é que normalmente depois de um tempo elas acabam e eu enjoo profundamente do assunto, passando até anos sem voltar a fazer algo que antes era algo bastante natural. 

Um exemplo bem claro era o fascínio que eu tinha com os animês. Chegou ao ponto de eu baixar quase tudo que saía com legenda pelos fansubs brasileiros. Sabia o nome de quase todos, o que eles lançavam, quando saia e tudo mais. Só não baixava mais porque minha internet não era tão boa na época.

Meu gosto pelos animes, como para a maioria das pessoas que viveram nos anos 90 surgiu graças a Rede Manchete e Cavaleiros do Zodíaco. Todo mundo gostava, não tinha pra onde fugir, e até aquele ponto era algo saudável e bem normal. Apenas um desenho que eu assistia antes de ir para o colégio. A mania começou a se formar mesmo com a popularização da internet.


Lá pelos idos de 2002/2003 na minha casa finalmente saímos da internet discada dos finais de semana e nos civilizamos para uma banda larga com telefone livre com incrível velocidade de 300 kbps. Era um sonho. Baixar tudo que eu queria sem ter que me preocupar com nada. Nessa época sites como rapidshare e megaupload eram raríssimos e com limitações de banda. Então, o método mais rápido e cômodo de se trocar arquivos era via P2P, o famoso Peer-to-peer. Usei durante um bom tempo o Kazaa e depois o Emule e foi através deles que conheci meus primeiros animes diferentes dos que passavam na Manchete.

Não lembro exatamente qual foi, mas a honra fica entre Neon Genesis Evangelion e Love Hina. Um desses dois foi meu primeiro anime baixado. Mesmo não lembrando exatamente qual foi, sei que adorei e saber que existiam outras coisas diferentes de Cavaleiros do Zodíaco me fez querer mais. Esse “mais” surgiu pouco tempo depois quando eu descobri que existiam grupos que se dedicavam exclusivamente a criar legendas para os desenhos em japonês e disponibilizá-los na internet, os fansubs. Foi graças ao site Anime Blade que conheci a maioria dos fansubs que viriam a alimentar a minha mania por uns 3-4 anos. A maioria deles disponibilizava (alguns ainda o fazem assim) os arquivos via IRC o que era bastante cômodo, pois demorava pouco tempo para se baixar um arquivo, dependendo do servidor que o grupo usava e da fila de espera que tinha no canal do IRC deles.

 
Graças a grupos com o OMDA, o TNNAC, o Anime no Sekai, o MDAN e muitos outros (a maioria já extinta) conheci vários animês que gosto bastante ainda hoje, mesmo não tendo mais saco para vê-los. Animês como: Last Exile, Hunter x Hunter, Slam Dunk, Gankutsuou, Great Teacher Onizuka, Beck, Elfen Lied, Gantz, Berserk, Full Metal Alchemist, Maison Ikkoku, Kimagure Orange Road, e muitos outros.

A mania atingiu seu ponto máximo quando terminei o colégio e passei quarto meses em casa esperando começar as aulas da faculdade que estavam atrasadas por causa de greves. Foi nesse período que conheci a maioria dos animes citados acima e durou até 2006-2007 quando a faculdade foi ficando mais complicada, eu comecei a namorar sério com a minha atual namorada e o tempo pra alimentar a mania foi diminuindo e aos poucos se extinguiu. Hoje em dia, eu vejo passando e não sei como aguentava passar o dia quase todo vendo aquilo. Provavelmente daqui há alguns anos vou falar o mesmo das séries que eu vejo hoje em dia, mas aí eu já vou ter outra mania pra alimentar, então tá tudo certo.

[Cinema] O FIlho de Rambow



Lá em 2008, zapeando por alguns blogs que eu costumava visitar na época encontrei um post que falava sobre “Os melhores 19 filmes que você não viu em 2007”. Fiquei curioso com o despautério e a pretensão dele de me mostrar 19 filmes que eu não tivesse visto. Depois de olhar os filmes, enfiei o rabo entre as pernas, metaforicamente, e admiti que realmente não tinha visto nenhum. Procurei encontrar todos, assisti mais ou menos a metade e a partir dali todo começo de ano fico esperando ansiosamente quais os 19 filmes que eu não vi no ano anterior.

É por causa dessa lista que assisti alguns dos meus filmes preferidos. Dentre eles estão: Across the Universe (Across the Universe, 2007); Morte no Funeral (Death at Funeral, 2007); Fido – O Mascote (Fido, 2007); Nick e Norah – Uma Noite de Amor e Música (Nick and Norah's Infinite Playlist, 2008); Lunar (Moon, 2009); O Primeiro Amor (Flipped, 2010); Um Novo Despertar (The Beaver, 2011) e muitos outros que eu poderia listar aqui. Mas um dos meus preferidos é O Filho de Rambow (Son of Rambow, 2008).

Imagine fazer parte de uma família cujo culto religioso proíbi terminantemente que você veja filmes ou televisão. Bem, isso é o que acontece com o pequeno Will Proudfoot, que nem os vídeos educativos apresentados na escola ele pode ver, tendo que ficar esperando no corredor até o filme acabar. É numa dessas esperas que ele conhece Lee Carter, o garoto mais encrenqueiro da escola, que óbvio tinha sido expulso de sala. 


O filme se passa nos anos 80 e Will acaba indo parar na casa de Lee Carter e assistindo, meio que sem querer, uma versão pirata de "Rambo – Programado para Matar" que Lee Carter tinha gravado no cinema para o irmão que ele idolatra e faz tudo pra agradar. 

Qualquer criança após ver um filme estilo Rambo sai por aí querendo se meter em aventuras e enfrentar todos os bandidos que existem no mundo. Basta uma fita na cabeça e o menino se torna o próprio Rambo. Com Will não foi diferente e ele, imaginativo e criativo do jeito que é, se imagina vivendo várias aventuras na pele do seu heroi. Lee Carter, cujo hobby é fazer filmes caseiros para participar de um concurso da BBC encontra em Will a veia criativa que estava faltando para que ele possa ganhar o concurso e o convence a ser o roteirista e ator principal do seu mais novo filme, "O Filho de Rambow".


A gravação do filme pelos dois funciona como pano de fundo para mostrar o nascimento e o desenvolvimento de uma grande amizade que não fosse o filme, provavelmente, nunca ocorreria. Durante o filme vemos a transformação das personagens. O tímido e introspectivo Will, graças à nova amizade, às filmagens e ao status na escola que veio junto com ela, vai aos poucos vencendo a timidez, enquanto que o valentão Lee Carter, aos poucos vai se “civilizando”, tornando-se mais sociável e cooperativo. Mas, o fato mais importante da amizade entre eles é mostrar-lhes que têm com quem contar, já que as famílias desestruturadas de ambos não servem muito nesse quesito.


O Filho de Rambow é um filme excelente que retrata muito bem uma época que pra muitos é a década perdida, mas que para os jovens adultos de hoje foi uma época cheia de aventuras e descobrimentos, chamada infânica. E é isso que faz o filme ser marcante, pois, mesmo se passando em outro país, outra cultura, não tem como quem assisti não se lembrar de momentos parecidos da própria infância.

29 de nov de 2012

[Quadrinhos] Dylan Dog #002 - Ed. Mythos

Depois de bastante tempo, vamos à segunda edição de Dylan Dog lançada pela editora Mythos. Essa história equivale ao nº 18 italiano.

Sinopse: Dylan viaja à América e coisas estranhas começam a acontecer já no navio no qual viaja. As situações embaraçosas e problemáticas seriam causadas por conta de um estranho ser chamado Cagliostro ou por conta de bruxas. (Fonte: Texbr)

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[Música] Pink Martini


Não costumo escrever sobre música aqui, simplesmente porque não entendo absolutamente nada sobre o assunto. Gosto de ouvir uma coisa aqui outra alí, mas não sou uma pessoa que não consegue viver sem música, uma pessoa que a posse mais importante é um ipod cujo fone que não desgruda do ouvido, ou alguém que sabe tudo sobre uma banda ao ponto de saber o CPF e o RG da irmã do vocalista da banda favorita.

Isso de certa forma é bom, porque me permite ser bastante eclético quanto ao que eu escuto, já que não há paixões exacerbadas entre uma banda e eu. Como não me importo muito com a vida de quem tá cantando, e raramente presto atenção na letra, acabo dando mais valor pra melodia da música. Se a voz for harmoniosa com a melodia e funcionar como um outro instrumento melhor ainda.

Por causa disso, quando me mostraram Milord da Edith Piaf eu gostei bastante. A maneira como ela usa a voz é incrível e me fez querer conhecer outras músicas dela. Procurando, encontrei um que dizia ser dela, mas a voz não casava muito, parecia um pouco diferente. Dando uma pesquisada descobri que realmente não era dela e sim de uma banda chamada Pink Martini. Mas, apesar de não ser da Edith Piaf, a música ("Symphathique" pra quem estiver curioso) era incrivelmente gostosa de ouvir e fiquei com vontade de escutar mais alguma coisa da banda. Arranjei a discografia inteira da banda e fiquei embasbacado com a quantidade de música legal que tinha.

Pink Martini é uma banda formada em 1994 composta por 12 membros (isso mesmo, uma dúzia) que mistura diversos gêneros, desde música latina a música clássica, passando pelo jazz, lounge e outros ritmos. Apesar dessa grande variedade de gêneros os 7 discos lançados me agradaram enormemente, principalmente as versões de algumas músicas já clássicas que eles fizeram, como as de "Que Será, Será" e "Amado Mio". Banda bastante interessante pra quem gosta de fugir um pouco do comum.

Abaixo algumas músicas pra ver se desperta o interesse, e no site deles dá pra ouvir todas as músicas. Espero que gostem. Quem quiser a discografia completa pode pegar aqui via torrent.

Pink Martini - Hang a Little Tomatoe 

Pink Martini - Donde Estas Yolanda

Pink Martini - But Now I'm Back

Pink Martini - Everywhere

Pink Martini - Mar Desconocido

Pink Martini - Hey Eugene!

Pink Martini - Bitty Boppy Betty

17 de set de 2012

[Conto] O Ladrão de joias

Este conto é dedicado especialmente à Anna Ingrid que é uma sonhadora e adora pescar, principalmente quando esta dormindo.

Já fazia dois meses que eu estava preso. Havia emagrecido alguns quilos, visto que a comida era odiosa e a consciência de alguém preso injustamente não me deixava dormir a noite. Contrariando a máxima de que cadeia está sempre lotada, na minha cela éramos apenas quatro. O ladrão de galinha, o bêbado que tinha vindo pra passar a noite e já havia três semanas que aqui estava, Jorge e eu. Jorge por sinal já estava na cela quando me prenderam injustamente e era uma pessoa de poucas palavras. Não era muito de puxar assunto e preferia ficar no seu canto envolto nos próprios pensamentos. Certo dia, pela primeira vez nesses dois meses em que me encontrava preso, ele, na hora da refeição, sentou-se ao meu lado e veio puxar assunto. “Cabeludo, por que te prenderam?” perguntou ele usando a alcunha que havia me sido imposta assim que cheguei, devido à vasta cabeleira que ostentava a época. “Fui preso por engano.” comentei, “Nada fiz e provarei isso, nem que me leve toda uma vida.” Respondi mal humorado. “Ninguém que aqui entra, entra por engano. Se aqui está é porque algo cometeu, mesmo que não seja o motivo principal de sua prisão.”, filosofou Jorge. “E tu, o que fizeste pra ser preso?” perguntei aborrecido com o tom de lição de moral a que a conversa tinha se encaminhado, e ouvi uma das histórias mais estranhas que já ouvi na minha vida. De tão absurdo até hoje tenho minhas dúvidas se Jorge se divertia às minhas custas ou se contava a verdade.

“Há alguns anos eu estava muito endividado. Havia perdido meu emprego e as contas só faziam se acumular. Estava em vias de tirar minha vida quando encontrei por acaso um velho conhecido que não via havia bastante tempo. Não éramos exatamente amigos íntimos, mas percebendo que eu enfrentava algum tipo de dificuldade me perguntou pelo que estava passando. Comentei que estava desempregado e que as contas só faziam aumentar. Ele, depois de dar uma checada para ver se ninguém estava nos ouvindo, comentou baixinho que talvez pudesse me ajudar. Fiquei deveras feliz com aquilo e perguntei se era algum tipo de emprego. Ele respondeu misteriosamente. “Tipo um emprego.” Não fiquei de todo feliz com o rumo que as coisas estavam tomando, mas para alguém que estava pensando em tirar a vida por causa das dívidas, qualquer serviço era bem vindo, mesmo que não fosse dos mais honestos. Pedia para que eu o encontrasse no dia seguinte e passou-me um endereço.”.

“No dia seguinte me dirigi até o endereço. Era uma casa antiga com aspecto de abandonada. Procurei pela campainha, mas não encontrei, ia bater palmas e chamar pelo meu amigo quando ouvi uma voz chamando meu nome. Intrigado, olhei na direção de onde ela vinha e reconheci meu amigo entre a vegetação que infestava a lateral da casa. Fui a sua direção e só então percebi que havia um buraco na parede que permitia a entrada na ruína, já que o termo casa parecia impróprio diante das condições do local. Adentrei o local, cumprimentei meu amigo e nos dirigimos para onde os outros estavam. Andamos por alguns corredores mal iluminados até finalmente chegarmos a um ambiente onde cerca de seis indivíduos já lá se encontravam. Assombrei-me com seus aspectos e sem pensar direito disse: “Mas eles são...”, “os melhores que existem no ramo.” completou meu amigo e disse que ficasse quieto e não falasse demais para não irritá-los.”.

“Eram bandidos se você ainda não percebeu.”, interrompeu a narrativa o bêbado, se dirigindo diretamente a mim. Havia alguns instantes que ele havia se sentado próximo e queria se juntar à plateia. “Claro que eram bandidos.“, disse Jorge irritado, “Se fossem escoteiros não estaríamos nos encontrados naquele muquifo tentando não levantar suspeitas. Eram bandidos, e vou ser mais preciso, eram ladrões de joias.”

“Depois de ser apresentado e bem recomendado pelo meu amigo eles me aceitaram no bando e começaram a discutir o plano para o próximo roubo. Iríamos roubar aquela joalheria que fica no centro da cidade. Nunca lembro o nome. Uma que fica em frente aos Correios.”, “Sim, sei qual é se intrometeu o bêbado. É uma...”, “Não importa.”, cortei bruscamente mais uma das intromissões do bêbado que agora já me irritava, ansioso por saber mais sobre a vida de crimes do meu companheiro de cela. “Não importa o nome, apenas continue Jorge.”. “Tudo bem.”, disse Jorge recomeçando o relato.

“Meu amigo então começou a me contar o plano. De acordo com ele teríamos que nos encontrar num local próximo de lá por volta das seis horas da noite. Então uma parte do grupo iria aproveitar o horário de fechamento da loja para roubá-la enquanto o outro seria usado como distração. Uma vez que seria meu primeiro roubo eu iria participar do grupo que alienava as joias como um teste de fogo, enquanto que esse meu amigo, já ancião no grupo por assim dizer, participava do grupo que servia como distração. O plano pareceu muito simplório para mim, mas fui assegurado pelo meu amigo que era um plano perfeito. Que há meses vinham fazendo isso e nem suspeita sobre eles havia sido levantada. Tranquilizei-me um pouco depois dessas palavras e fui para minha casa aproveitar o que podia ser os meus últimos momentos nela caso o roubo não desse certo.”.

“No dia seguinte, no horário combinado, estamos todos no ponto de encontro. Eu e dois dos meus companheiros seguimos para o telhado da loja para de lá entramos no momento de distração criado pelos meus outros quatro colegas. Depois de alguns instantes recebi o sinal do colega de crime que todos aceitavam como chefe para entrarmos. Entramos, fizemos a limpa, como dizem, e saímos. Tudo silenciosamente, com uma habilidade simiesca na entrada e na saída pelo telhado que parecia que eles tinham nascido pra isso. Pegamos as joias e fomos direto para a ruína que nos servia de quartel general para fazer a divisão da botija. Somente no momento em que lá cheguei que me dei conta do que tinha feito. Um misto de culpa e excitação se abateu sobre mim, mas a empolgação com a tarefa cumprida dava um prazer tão grande que a culpa logo se evaporou e só o desejo de sentir novamente a adrenalina do roubo restou no meu corpo. Pouco depois chegou o quarteto que havia servido de distração e pudemos finalmente comemorar o roubo bem sucedido. Comemoramos por um tempo e voltei pra minha casa. No dia seguinte...”, “Calma aí.”, o interrompi dessa vez. “O que seu amigo e os outros fizeram pra distrair a atenção dos funcionários da loja”, “Até hoje não sei exatamente.” respondeu Jorge. “Meu amigo sempre se esquivava fazendo mistério dizendo, “Macacada, o segredo é fazer macacada que eles se distraem e não percebem o roubo.”. Sempre aceitei aquilo como verdade, mesmo que parecesse absurdo e infantil, mas parecia bem plausível para mim a época.”.

“Durante algum tempo continuamos realizando roubos bem sucedidos. Cada vez mais minha conta engordava e cada vez mais eu queria mais da adrenalina do roubo. Com o tempo, a experiência foi me baixando a guarda e num desses roubos acabei por acionar o alarme da loja. Meus companheiros, com suas habilidades natas, num instante se escafederam do local, enquanto que eu não consegui fugir a tempo e acabei preso. Fui levado à delegacia e, após ser descoberta minha identidade de ladrão de joias, fui acusado de responsável pela onda de roubos de que vinha sendo assolada a cidade nos últimos tempos, e torturado a fim de delatar meus companheiros de crime. Nunca fui muito resistente à dor e acabei, em um momento de fraqueza, os delatando. Fui jogado numa cela e esperei longos dias até meu julgamento. Acabei sendo julgado culpado pelos meus crimes, como eu já esperava, mas o que eu não esperava era ser condenado por perjúrio também. Meu amigo nunca foi encontrado. O miserável conseguiu se esconder e deve continuar no crime hoje em dia. Já os outros cinco foram encontrados, mas foram considerados inocentes, e não acho impossível que continuem roubando. Aqueles trogloditas.”.

A história que parecia ter chegado ao fim, a mim, parecia comum, sem muito de diferente da de tantos outros ladrões de joias que são presos quase que diariamente pelo mundo a fora e acabam sendo os únicos considerados culpados. Seja por azar, por inteligência dos companheiros de crime ou boa influência destes com pessoas importantes. Comentei isso com Jorge e ele dando uma sonora gargalhada que me gelou a alma me disse. “Eram macacos!”, “Todos com exceção do meu amigo e eu eram macacos. Acredita nisso? Eu fazia parte de uma gangue de macacos. Pra que eles queriam joias, dinheiro, não sei, só sei que era isso que fazíamos. Mas o que me indigna mais hoje em dia não é nem o fato de ter sido preso, nem de ter sido considerado o único culpado. É que o chefe não era meu amigo, nem eu e sim um dos macacos!”. Depois de dar uma risada sem graça Jorge voltou pra seu canto e pra sua angustia particular. Já eu até hoje continuo aqui tentando provar minha inocência, porque nada fiz e aqui estou injustamente.