5 de dez. de 2019

[Cinema] Parasite

Há algum tempo, por meio de um grupo sobre quadrinhos, eu fiquei sabendo que ia ser lançado um filme coreano chamado Parasite. Na época devem ter comentado que o filme não tinha nada a ver com o mangá de mesmo nome que foi lançado há algum tempo pela editora JBC. Mas por algum motivo meu cérebro registrou como sendo uma adaptação.

Avançamos no tempo até essa semana, quando eu recebo um e-mail do Tracker que eu uso para "adquirir de forma alternativa" filmes asiáticos e me bate a curiosidade de saber se o filme já está disponível. 

Pra minha felicidade ele já estava disponível. 30 minutos depois o filme já estava no HD externo ligado à TV esperando que eu tivesse um momento livre para assistí-lo. Fato este que ocorreu essa semana....e ainda bem que aconteceu.

De cara posso fazer dois comentários. Primeiro que o filme não tem nada a ver com o mangá. Segundo que Parasite é um filmásso. 

Em Parasite (2019), filme dirigido por Bong Joon-ho, e ganhar de diversos prêmios, dentre ele a Palma de Ouro de Cannes, a história gira em torno de duas famílias coreanas. Uma pobre, os Kim, e uma rica, os Park. Pai, mãe e dois filhos. Uma menina e um menino, em ambos os casos. 

Um dia, um amigo do filho da família Kim, faz uma visita e comenta que era tutor da filha dos Park, mas que teria que viajar pra estudar e sugere que ele fique no seu lugar. Após uma entrevista bem sucedida o rapaz começa a trabalhar como tutor, e uma vez dentro da casa dos Park, começa a por em prática um plano pra empregar os outros membros da família, que um a um vão assumindo empregos junto da família Park, e passando a agir feito parasitas. A partir daí a história se desenvolve com algumas reviravoltas importantes que pegam o expectador totalmente de surpresa.

O filme é na verdade uma grande metáfora à luta de classes. Ao ponto de no final você se questionar quem realmente são os parasitas na história. 

Apesar dos temas abordados, ele não é chato ou pedante. Muito pelo contrário. O filme mescla bem doses de humor e de Thriller, conseguindo prender o expectador do início ao fim, apesar dos 120 min do filme.




4 de dez. de 2019

[Nostalgia/Quadrinhos] As bancas que me construíram - Parte 1

Um dos maiores prazeres que eu fui desenvolvendo ao longo da minha vida foi o de frequentar bancas de revista. Esse monumento urbano em extinção nesse tempos atuais, sempre foi fonte de alegria e de divertimento pra mim. Na verdade, parando pra pensar, as bancas que eu frequentei não são só parte da paisagem de fundo na história da minha vida. Elas são personagem ativas e eu consigo associar diversos momentos da minha vida com fatos envolvendo as bancas e os quadrinhos.

Até os meus 13-14 anos, quadrinhos pra mim era sinônimo de Turma da Mônica. Meu pai viajava bastante a trabalho, e em cada viagem ele voltava com umas 2 ou 3 novas revistinhas da Turma da Mônica pra mim e pro meu irmão. Normalmente era uma da Mônica e uma do Cascão. As vezes uma do Cebolinha. Muito raramente uma das outras. 


Além das revistinhas ganhadas do meu pai nessas viagens (que eram lidas em fração de segundos), eu sempre conseguia descolar uns trocados pra comprar outras na banca de revista que ficava na rua de trás. Na verdade, perto da casa dos meus pais existem duas bancas de revistas. Essa que fica na rua de trás, e outra que fica na mesma rua, sendo que a primeira sempre foi melhor em termos de quadrinhos do que a outra. Então, basicamente eu só frequentava essa da rua de trás. A única lembrança relacionada à quadrinhos que eu tenha dessa banca que ficava na mesma rua, é a de comprar as quadrinizações das animações de Dragon Ball que saíram pela editora Abril em meados dos anos 90, e que eu posso considerar como o precursor da minha predileção por mangás.

 
Quando eu era criança, essa banca da rua de trás, que por sinal, foi o local que eu mais frequentei na vida, porque eu parava nela praticamente todo dia dos meus 14 até os 22 anos, era muito diferente do que é hoje em dia. Naquela época você não conseguia entrar dentro dela. As revistas ficavam nas prateleiras no fundo da banca, e você tinha que perguntar o que queria, ou ficar se apoiando no balcão por onde lhe atendiam tentando ver o que tinha lá dentro. Na parte da frente tinha algumas revistas penduradas, mas eram as revistas semanais da época (Manchete, Veja, Istoé, etc) e jornais. Algumas revistinhas da Turma da Mônica e de Super-Heróis ficavam expostas em uns suportes de plásticos ainda na frente da banca, perto do freezer de sorvete. Depois de alguns anos arranjaram um suporte metálico que ficavam na calçada, do lado de um orelhão, onde colocavam mais revistas de super-heróis.

 
Nessa época, como eu só conhecia a Turma da Mônica, era praticamente o que eu comprava com o dinheiro que sobrava do lanche, ou com uns trocados que eu conseguia descolar com meus pais. Das revistas de super-heróis eu só conhecia os personagens por causa das animações que passavam na TV. X-Men, Homem Aranha, etc. Então eu até tinha curiosidade, mas como não sabia por onde começar, quase nunca me arriscava a comprar. Vale lembrar que o dinheiro era pouco, então tinha que ser bem investido. Lembro de certa vez ter visto uma revista da Espada Selvagem de Conan guardada dentro da banca. Ela era maior que as revistas normais e eu fiquei impressionado, doido de vontade ver. Mas como ficava dentro da banca, e ela parecia "de adulto", fiquei só na vontade.

Nos anos 2000, houve uma reforma na banca e ela assumiu o formato que tem hoje em dia. Nessa mesma época começaram a ser publicados os mangás de Dragon Ball e de Cavaleiros do Zodíaco, que foram as primeiras HQs serializadas que eu acompanhei de fato. Por coincidência, nenhuma eu comprei o primeiro volume nessa banca. A primeira edição de Dragon Ball eu comprei em Petrolina numa viagem de férias, e a primeira de Cavaleiros do Zodíaco eu comprei em uma banca que ficava perto da parada onde eu pegava ônibus quando voltava do colégio. Outro mangá que eu comprei mais ou menos nessa época foi o de Ranma 1/2 publicado pela editora Animangá.

 
Esse mangá, por sinal, vale um parênteses. Eu não lembro exatamente se eu comprei primeiro Ranma 1/2, ou se os mangás da Conrad vieram primeiro. Nem o que me atraiu em Ranma. Nessa mesma época eu comprava umas revistas que falavam sobre anime. Acho que o nome era Anime Do, ou algo parecido, e... bem... a maioria dos animes eu não conhecia, mas morria de vontade de conhecer. Pode ser que o interesse tenha surgido daí. Mas o parênteses não era por causa disso. A publicação de Ranma 1/2 pela Animangá era uma doideira. Cada revista tinha quase 50 páginas. o que equivale mais ou menos a 1/4 da revista original japonesa e a coleção japonesa é composta de 38 volumes. Ou seja, a editora Animangá teria que publicar mais ou menos 152 números pra completar a coleção. Se a edição fosse mensal, levaria mais de 10 anos para ser concluída. O SE está aí porque na verdade a publicação era bimestral, o que faz com que ela só seria concluída após mais de 25 anos. E a periodicidade bimestral era bem teórica, porque na verdade a revista aparecia quando queria e tinha uma distribuição bem ruim. Eu nunca achava nessas bancas perto da casa dos meus pais. Só em uma banca que eu visitava as vezes perto do Mercado de Boa Viagem. O fato é que a editora Animanga publicou 29 edições e encerrou a publicação. Anos mais tarde a editora JBC republicou Ranma 1/2, agora no formato japonês e concluiu a publicação deve fazer uns 4-5 anos.


 Voltando. Além da reforma da banca e da publicação dos mangás, outro fator que agiu pra fazer eu ser frequentador assíduo de banca, foi o fato de começar a andar de ônibus. Nessa época eu passei a ir e voltar do colégio de ônibus, e a parada fica exatamente na rua da banca. Então eu sempre dava uma esticada até a banca pra ver se tinha chegado alguma novidade. Isso foi durante todo o resto do colégio e perdurou por boa parte da faculdade. 

As visitas diárias diminuíram, mas até 2013 semanalmente eu passava na banca e comprava minhas novidades de mangá. Em 2013 eu me mudei pra outro Estado, mas continuei indo à Recife praticamente todo mês por causa do doutorado, e a banca era parada obrigatória nessas viagens. No final de 2017 eu terminei meu doutorado. Com isso as viagens à Recife diminuíram. Passaram de mensal para trimestral, para semestral e nesse ano de 2019 nem isso. Aqui por onde eu moro agora eu tenho a minha "banca de estimação", mas ela nunca vai ser como "a minha banca de Recife". Os tempos são outros, eu sou outra pessoal. Felizmente as memórias ficam.    

Continua (eventualmente)....


26 de nov. de 2019

[Idiossincrasias/Literatura] A arca do tesouro


Quando eu era criança, na casa dos meus pais existia um móvel (que por sinal ainda existe) que era denominado como "A Arca", mesmo que na verdade ele fosse apenas uma cristaleira onde minha mãe guardava a louça que ela usava uma única vez por ano, na ceia de Natal. Na parte de baixo desse móvel, existiam dois compartimentos com portas onde os meus pais guardavam tralhas. De um lado ficavam as travessas e formas da minha mãe, enquanto que do outro ficavam os livros do meu pai. A coleção não era muito grande, nem tinha relíquias, mas para mim enquanto criança, aquilo exercia um enorme fascínio.

Dentre os livros que eu me recordo que ficavam guardados nesse móvel tinham: uma coleção da enciclopédia Barsa; uma coleção sobre personalidades históricas; uma coleção dos pensadores (que eu acabei doando pra UFPE quando me formei) e alguns clássicos. 

Meu pai sempre foi uma pessoa de gostos incomuns. Enquanto que por um lado o gosto literário e musical dele beire o erudito, ouvindo e lendo praticamente só os clássicos, por outro, o divertimento do domingo dele sempre foi ver as vídeo cassetadas do Faustão. Ele sempre ri com as mesmas piadas do Chaves, além de ter desenvolvido um gosto particularmente estranho por novelas mexicanas presentes na Netflix. 

Por causa desse gosto dele por clássicos, na minha infância e adolescência, sempre tive acesso a alguns deles, apesar de nunca tê-los lido. Dom Quixote (eu adorava ficar olhando as ilustrações do Gustave Doré), Crime e Castigo, Metamorfose, Processo, eram alguns desses livros que sempre estavam lá, que eu adorava pegar pra ver, mas tinha medo de ler. Medo na verdade não define bem o sentimento. Era mais um respeito. Como se eu não estivesse pronto, afinal de contas eram os livros do meu pai, a pessoa que eu considerava mais inteligente em todo o mundo.


De todos os clássicos que meu pai possuía, ele parecia ter uma predileção pelos de Dostoiévski e de Kafka, e talvez por isso, sempre tenham sido os autores que eu mais tive receio de ler. Ambos eu até tentei ler na minha adolescência, mas abandonei. Mais pelas edições que estavam velhas e fedendo a mofo, do que efetivamente por não ser capaz de ler. Fato é que eu nunca tinha lido nenhum dos dois.

Nesse ano de 2019 eu descobri que ia ser pai, e na minha mente veio a ideia fixa de que eu precisava ler esses dois autores, uma vez que meu pai tinha lido. Então pra ser pai era preciso ter lido Dostoiévski e Kafka. Não faz o menor sentido, mas na minha cabeça fazia. 


Kafka foi uma leitura mais tranquila. Em duas sentadas eu li Metamorfose. Durante minha vida toda tinha ouvido de diversas pessoas que Kafka era muito difícil, que era chato, etc. E muito pelo contrário, achei a leitura muito prazerosa e até bastante acessível, apesar de ter muito nas entrelinhas. Agora vencido o medo, acho que vou dar chance aos outros títulos do autor.

Já Dostoiévski não foi tão tranquilo pra mim. A leitura de Crime e Castigo se arrastou por quase 6 meses. Tive que recomeçar quando já tinha lido quase metade do livro porque não estava entendendo mais nada. Mas talvez a culpa nem seja do livro, e sim do meu tempo de leitura que estava bem comprometido nesse período. No fim, achei o livro bom. Talvez por já conhecer a história (esse é daqueles livros que mesmo sem ler você tem a trama toda na cabeça), não foi tão impactante pra mim. Mas ainda sim fiquei feliz de ler.

Pode ter sido loucura da minha cabeça ter me colocado essa obrigação, mas o fato é que minha esposa passou uma semana com 3 cm de dilatação, e no dia seguinte ao término da minha leitura de Crime e Castigo meu filho nasceu. A maioria das pessoas vai dizer que foi só coincidência, mas pra mim ele sabia que pra eu ser um bom pai eu teria que ter terminado esses clássicos.


6 de mai. de 2018

[Literatura] As muitas histórias de David Grann

Lá no já longínquo ano de 2009, meu pai era assinante da Revista Época. Sempre que a revista chegava, uma das primeiras seções que eu olhava era a que falava sobre literatura. Sempre tinha a lista dos livros mais vendidos da semana e uma reportagem sobre um lançamento. Em uma edição da revista semanal daquele ano, a reportagem dessa seção mostrava um livro com um grande Z formado por vegetação na capa, e com o subtítulo "A Cidade Perdida". Só a imagem já foi suficiente para despertar meu interesse e alimentar meu desejo de adquiri-lo. Esse desejo só aumentou quando li a sinopse que falava sobre um certo coronel do exército britânico, que teria vindo ao Brasil atrás de uma cidade perdida no meio da floresta amazônica, no melhor estilo Indiana Jones. Infelizmente na época eu não o achei para comprar em livrarias e acabei, com o tempo, esquecendo o título e o autor. Lembrava que o livro existia, mas não sabia mais como pesquisá-lo.


Sete anos depois, em 2016, dando uma olhada na Amazon, me deparo novamente com aquele Z enorme na capa. Toda a lembrança e a vontade de conhecer a história do coronel Percy Fawcett voltam a minha mente de imediato e, sem pensar duas vezes, coloco no carrinho e realizo a compra. Assim que o livro chega, passo ele na frente de toda a minha pilha de leitura e começo a me embrenhar no meio da floresta amazônica em busca do Eldorado brasileiro. E que aventura!

A escrita de David Grann, o autor do livro e jornalista da revista The New Yorker, é ágil e muito gostosa de ler. Além disso, a pesquisa histórica, tanto através de documentos quanto a partir de entrevistas com parentes de Fawcett e com as tribos indígenas com as quais o coronel teve contato durante sua aventura, consegue criar uma narrativa tão fluida, que quase é possível sentir o ar carregado de umidade da floresta amazônica. Se não bastasse a escrita incrível, a história do coronel Fawcett e sua obsessão por encontrar Z é sensacional. Antes de ler o livro eu já tinha ouvido falar dele e de como ele havia desaparecido durante suas explorações, porém, nunca tinha imaginado o quão fascinante ele e a sua aventura tinham sido.


Outro dia me peguei pensando que eu já vivi mais tempo no século XXI do que no século XX. Apesar disso, talvez por ter nascido num mundo analógico ao invés do mundo digital que temos hoje em dia, a sensação de pertencimento ao século XX e proximidade dele ainda são grandes. Pensamento diametralmente oposto talvez se aplique com relação ao período em que se passa a história do coronel Fawcett. O ano de 1925 me parece muito mais distante do que os menos de 90 anos que realmente tem. Muito talvez porque naquela época o mundo ainda era um lugar cheio de mistérios e inexplorado, diferente do mundo já bem conhecido e sem graça em que nasci. 

Fascinado pela aventura, eu li o livro em duas sentadas. Acompanhei o coronel Fawcett, seu filho Jack e o amigo dele Raleigh Rimmell se embrenhando pela mata, passando fome, encontrando tribos indígenas, e acompanhei o fim trágico e enigmático do coronel. Por sinal, o desaparecimento dele sempre foi o que mais me fascinou na história, e, apesar de não dar uma solução definitiva, o livro lida bem e apresenta uma hipótese interessante. Com relação a cidade, é interessante o ponto de vista apresentado pelo livro, e mais interessante ainda saber que no fim Fawcett talvez estivesse certo na sua obsessão.

A história do coronel Fawcett, tendo o livro de David Grann como referência, foi adaptada para o cinema (The Lost City of Z, 2016) e o filme é muito bem feito. Toma algumas liberdades criativas, mas no geral está tudo lá.


Há uns 3 meses, quase 2 anos depois de ter lido Z, eu estava olhando meus e-mails e abro um e-mail de propaganda da Saraiva com um livro onde a capa mostra dois índios americanos em um Ford T e atrás um poço de petróleo lançando óleo vermelho no ar com o título "Assassinos da Lua das Flores". Já achei capa curiosa, mas quando li a sinopse pensei "UAU! Parece foda!". Ela dizia o seguinte:
Nos Estados Unidos dos anos 1920, as pessoas com maior renda per capita do mundo eram membros da tribo indígena Osage, de Oklahoma. Depois da descoberta de petróleo sob o solo de sua reserva, esses improváveis milionários andavam em carros de luxo dirigidos por motoristas, viviam em mansões e mandavam seus filhos para estudar na Europa. Então, um a um, os Osage começaram a ser mortos.
Já tinha ficado interessado, mas quando vi nome do autor soube que tinha que comprar. David Grann, o mesmo autor de Z, a cidade perdida. Comprei o livro e descobri que ele tinha outro livro publicado aqui no Brasil, "O Diabo & Sherlock Holmes". Não pensei duas vezes e comprei os dois.


"O Diabo & Sherlock Holmes" trás, como o próprio subtítulo informa, histórias reais de assassinato, loucura e obsessão. São ao todo 12 reportagens que Grann escreve para diversas revistas reunidas em um único livro. Apesar de ter algumas histórias melhores do que outras o livro é excelente no geral. Destaco o capítulo "Circunstâncias Misteriosas", onde ele narra a misteriosa morte do maior especialista em Sherlock Holmes do mundo, e o sensacional "O Camaleão", sobre a vida de Frédéric Bourdin, um impostor que acaba se metendo numa enrascada quando tenta aplicar um dos seus golpes. Como as histórias são reportagens, a grande maioria pode ser encontrada facilmente nos sites das revistas onde foram publicadas (The New Yorker, The Atlantic, New York Times Magazine e The New Republic).

Já "Assassinos da Lua das Flores" relata a trágica histórica da tribo dos Osage, que após ser "jogada" de um lado pro outro pelo governo americano na época das colonizações do Oeste americano, acaba sendo alocada num pedaço de terra rochoso e infértil no meio do Oklahoma, mas que por acaso do destino estava sobre uma grande reserva de petróleo. Por causa do petróleo os índios se tornam a população mais rica da época à época. Porém, a riqueza não vem sem preço. Misteriosamente os membros da tribo começam a morrer de forma suspeita.

Assim como em Z, Grann apresenta a história com muito embasamento histórico, traçando todos os acontecimentos e tentando solucionar o mistério envolvido com as mortes. Gostei de ler sobre essa parte da história americana que eu não conhecia, além de aprender um pouco sobre a criação do FBI. Além disso, a mesma sensação com relação ao tempo que tive em Z se repete aqui. As mortes acontecem mais ou menos no mesmo período, menos de 100 anos atrás, mas o mundo parece tão diferente do atual e até do de 30 anos atrás quando nasci, que parece que aconteceram a muito mais tempo.

5 de dez. de 2016

[Idiossincrasias] 30

Hoje é o meu aniversário de 30 anos e ao longo do ano diversas pessoas me falaram o quão ruim seria chegar nessa idade. O quanto eu iria pesar as minhas conquistas e sofrer pelas não alcançadas. Pode ser que amanhã eu acorde e perceba que eu deveria ter conquistado x ou y coisas e comece a me cobrar por não ter conseguido, mas faltando 1 hora pro dia acabar posso dizer que nesses 30 anos eu fui e sou feliz com as escolhas e conquista que tive. Algumas podem não ter sido as melhores pensando bem agora, mas eram as decisões que o eu da época acharam melhores, e isso me basta. Mais do que isso é pedir para enlouquecer. 

Quando eu fui morar em Recife com 5 anos, ficou mais fácil ir visitar minha irmã e a família da minha mãe que morava em Fortaleza, coisa que praticamente todo ano fazíamos. No caminho de ida, logo depois de passar de Goiana a estrada passava por um canavial, e do outro lado, por entre a cana, eu sempre via uma igrejinha de telhado inclinado cercada por eucaliptos. Pro eu criança aquela igreja  cercada de eucaliptos era a cena mais linda do mundo.

Anos depois, já crescido, as viagens a Fortaleza diminuíram, mas quis o destino que eu continuasse fazendo parte do percurso para ir a Mossoró (agora na verdade de Mossoró), e a igreja continuou fazendo parte da minha vida. Agora ela já não era tão mais bonita, porque a duplicação da BR-101 acabou levando os eucaliptos que a cercavam e tirou um pouco da magia. Mas ela ainda estava lá, sempre um olhando o outro quando passava. 

Devo ter passado por ela ao longo da minha vida uma meia centena de vezes facilmente, mas nunca tinha parado. Provavelmente por medo dela perder a magia caso o fizesse. Ontem, com os 30 anos batendo na porta, eu me dei conta que a única coisa que eu realmente sempre quis fazer desde pequeno e nunca tinha feito era parar e tirar uma foto dela. Então, se teria algo que eu ira me arrepender de não ter feito antes dos 30 seria isso. Então, bem, aí está. Pode não ser a mais bela do mundo, mas pro eu de 30 ela continua tão bela quanto pro meu eu de 25 anos atrás.