5 de dez de 2016

[Idiossincrasias] 30

Hoje é o meu aniversário de 30 anos e ao longo do ano diversas pessoas me falaram o quão ruim seria chegar nessa idade. O quanto eu iria pesar as minhas conquistas e sofrer pelas não alcançadas. Pode ser que amanhã eu acorde e perceba que eu deveria ter conquistado x ou y coisas e comece a me cobrar por não ter conseguido, mas faltando 1 hora pro dia acabar posso dizer que nesses 30 anos eu fui e sou feliz com as escolhas e conquista que tive. Algumas podem não ter sido as melhores pensando bem agora, mas eram as decisões que o eu da época acharam melhores, e isso me basta. Mais do que isso é pedir para enlouquecer. 

Quando eu fui morar em Recife com 5 anos, ficou mais fácil ir visitar minha irmã e a família da minha mãe que morava em Fortaleza, coisa que praticamente todo ano fazíamos. No caminho de ida, logo depois de passar de Goiana a estrada passava por um canavial, e do outro lado, por entre a cana, eu sempre via uma igrejinha de telhado inclinado cercada por eucaliptos. Pro eu criança aquela igreja  cercada de eucaliptos era a cena mais linda do mundo.

Anos depois, já crescido, as viagens a Fortaleza diminuíram, mas quis o destino que eu continuasse fazendo parte do percurso para ir a Mossoró (agora na verdade de Mossoró), e a igreja continuou fazendo parte da minha vida. Agora ela já não era tão mais bonita, porque a duplicação da BR-101 acabou levando os eucaliptos que a cercavam e tirou um pouco da magia. Mas ela ainda estava lá, sempre um olhando o outro quando passava. 

Devo ter passado por ela ao longo da minha vida uma meia centena de vezes facilmente, mas nunca tinha parado. Provavelmente por medo dela perder a magia caso o fizesse. Ontem, com os 30 anos batendo na porta, eu me dei conta que a única coisa que eu realmente sempre quis fazer desde pequeno e nunca tinha feito era parar e tirar uma foto dela. Então, se teria algo que eu ira me arrepender de não ter feito antes dos 30 seria isso. Então, bem, aí está. Pode não ser a mais bela do mundo, mas pro eu de 30 ela continua tão bela quanto pro meu eu de 25 anos atrás.


13 de jun de 2016

[Música] Top 5 descobertas no Spotify

Ultimamente tenho andado sem tempo para nada. Prazo do doutorado batendo na porta, aulas pra preparar, alunos pra orientar, e mais o monte de coisas que a rotina diária impõe. Isso tem se refletido principalmente aqui no blog que passou mais de ano sem ser atualizado. O único tempo realmente livre que venho tendo são as duas horas diárias de trajeto entre minha casa e o trabalho. E entre jumentos, buracos e assaltos tenho aproveitado para ouvir bastante música, principalmente graças ao Spotify. 

É interessante o tanto de coisa diferente e interessante que dá pra descobrir utilizando o programa, principalmente quando se utiliza o recurso de rádio de uma música que você gosta, ou então a playlist "Descobertas da Semana", que o Spotify organiza semanalmente baseado no que você tem escutado.

Assim, a intenção desse post é listar aqui 10 artistas/álbuns interessantes que eu descobri nesses últimos tempos e que ando ouvindo bastante. 

1 - The Hush Sound - Goodbye Blues


Pra começar, uma das bandas que mais tenho ouvido nos últimos tempos, The Hush Sound, com seu terceiro álbum, o "Goodbye Blue". Infelizmente o Spotify não tem os discos anteriores. O disco inteiro é muito bom, mantendo uma regularidade do começo ao fim. Destaque para as faixas "Honey", "As You Cry", "Hospital Bed Crawl", e a minha favorita, "Break the Sky".



2 - Jukebox the Ghost - Everything Under ther Sun


Seguindo na pegada indie, vale a pena dar uma conferida no segundo álbum, Everything Under the Sun, da banda Jukebox the Ghost. Confesso que não cheguei a ouvir os outros discos que constam no Spotify, então não sei se a qualidade é a mesma, mas de "Everything Under the Sun" as faixas "Empire" e "Popular Thing" se destacam na minha opinião.



3 - Russian Red - Fuerteventura


Mais um segundo álbum. Dessa vez da cantora espanhola Lourdes Hernández aka Russian Red com uma pegada meio indie meio folk. Destaque do álbum vai para as faixas "The Sun the Trees", "Everyday Everynight" e "Fuerteventura".



4 - April Smith and the Great Picture Show - Songs for a Sinking Ship


Songs for a Sinking Ship é o álbum de estreia da banda estadunindense April Smith and the Great Picture Show. Assim como a Russian Red, o estilo da banda gira entre o folk e o indie, mas com um toque meio burlesco. Como curiosidade, esse álbum foi lançado por meio de uma campanha de crowdfunding no Kickstarter. Minhas faixas preferidas são "Terrible Things", "Can't Say No" e "Wow and Flutter".



5 - Little Joy - Little Joy


Para encerrar a lista, uma banda formada pelo ex-Los Hermanos Rodrigo Amarante, pelo baterista do The Strokes Fabrizio Moretti e pela Binki Shapiro. Não tem como não reconhecer um pouco dos Los Hermanos em algumas músicas, como por exemplo nas faixas "The Next Time Around" e "Brand New Start".


31 de jan de 2015

[Literatura] Perdido em Marte



"- Fico me perguntando o que ele está pensando neste instante.
DIÁRIO DE BORDO: SOL 61
Por que o Aquaman consegue controlar baleias? Elas são mamíferos! Não faz sentido.
Nas minhas últimas idas à livraria tinha notado o livro "Perdidos em Marte" do escritor Andy Wein na seção de ficção científica, mas confesso que olhava a capa, lia o título e passava pro próximo. Alguma coisa nele não conseguia prender minha atenção. Na verdade ele não despertava curiosidade nenhuma em mim. A coisa só mudou quando estava vendo um post, em algum site que eu não em recordo mais qual era, falando sobre livros que vão virar filme nesse ano, 2015. Dentre os tantos livros estava "Perdidos em Marte", e pior, com o Matt Damon, Sean Bean e direção do Ridley Scott. Pensei comigo: "Ok, talvez o livro seja interessante. Da próxima vez que eu for à livraria vou dar uma olhada".

Há uns três dias eu estava de bobeira deitado na cama e minha esposa comenta comigo: "Aquele livro de ficção científica do post de filmes está com desconto no Kindle". Após alguns segundos de processamento meu cérebro compreendeu a frase e fui dar uma olhada. O desconto estava realmente muito bom, mas como não sabia nada sobre a história do livro fiquei meio com o pé atrás de comprar. Dei uma lida na sinopse que já é bem interessante e fiquei realmente curioso com o livro, principalmente pela parte que diz que Mark Watney, o astronauta que fica perdido em Marte planta batatas no planeta Vermelho. Quão absurda é a ideia de alguém plantando batata em Marte! 

Sinopse: "Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. 
Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente.  
Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. 
Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um senso de humor inabalável –, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. 
Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. 
Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor."

Apesar de ter ficado curioso com a sinopse ainda tava meio assim e resolvi pelo menos dar uma lida na amostra que o Kindle disponibiliza. Assim que acabou a amostra tive que comprar o livro e suspender a leitura de "A Coisa" do Stephen King e "J.R.R. Tolkien - o Senhor da Fantasia" de Michael White, que eu vinha intercalando até então.

O ritmo de "Perdido em Marte" é frenético. Apesar do livro cobrir um espaço de quase 2 anos o ritmo é incessante com algo sempre acontecendo. Não há perda de tempo com histórias paralelas, memórias que ajudam na construção do personagem, nada disso, simplesmente a história de um homem deixado pra trás pela tripulação em Marte com chances ínfimas de sobrevivência. Aqui vale ressaltar duas coisas. A primeira é que ele não foi deliberadamente deixado para trás. Todos os indícios indicavam que ele estava morte. E o segundo é que ele é um engenheiro mecânico, então não existe essa conversa de "chances ínfimas de sobrevivência". 

Pra quem ainda não suspeitou eu também sou engenheiro mecânico.

Além do ritmo frenético e da precisão científica do livro que em momento algum chega a ser maçante ou frustrante para leigos no assunto, o livro é extremamente divertido. Apesar de toda a desgraça que está acontecendo, o astronauta Mark Watney é o personagem mais cativante e engraçado que eu já tive o prazer de conhecer nos meus anos de leitura. Não tem como não se apegar ao personagem e sofrer, rir e torcer junto com ele.

As passagens mais divertidas, na minha opinião, são as que envolve a interação dele com a NASA. A NASA sempre tentando diminuir os riscos ao máximo, cumprindo protocolos, longos discussões para tomadas de decisão, e ele, muitas vezes, achando que a decisão é idiota e que não tem tempo pra essa besteira e resolvendo tudo com fita adesiva.

"Contei à NASA o que eu havia feito. Nossa conversa (parafraseada) foi:
Eu: "Desmontei tudo, encontrei o problema e o consertei."
Nasa: "Babaca."" 

Confesso que não me divertia tanto com um livro há muito tempo. Ele é o tipo de livro que prende você do começo ao fim e no final deixa um sentimento perda por ter acabado. Altamente recomendado, principalmente por causa do filme que está com estréia prevista para o final desse ano lá fora e só Deus sabe quando aqui no Brasil. Em tempos de filmes excelentes sobre espaço como "Gravidade" e "Interestelar", espero que "Perdido em Marte" também seja bom. História boa ele tem.

26 de dez de 2014

[Literatura] Michael Crichton na minha Linha do Tempo



Até 2011 eu não tinha a menor ideia de quem era Michael Crichton. Mas tudo isso mudou quando um dia entrei na Livraria Saraiva do Shopping Recife e me deparei com o livro "Parque dos Dinossauros". Nunca tinha me passada pela cabeça que o filme dirigido por Steven Spielberg pudesse ser baseado em um livro. Não comprei o livro naquele dia, mas toda vez que ia a livraria ficava flertando com ele, até que um dia resolvi acabar com o flerte e investir nele. Comprei-o e em poucos dias devorei o livro. Se o filme é sensacional, o livro, que apresenta algumas diferenças na história, é melhor ainda.

A maneira do Michael Crichton contar histórias é muito envolvente. Sempre muito bem pesquisada, os fatos científicos apresentados por ele dão um tom de realidade às histórias fictícias contadas. A partir do final da leitura de "Parque dos Dinossauros" fiquei com vontade de ler todos os livros do autor. De 2011 pra cá tive o prazer de ler outros 4 livros dele: "Devoradores de Mortos", "Homem Terminal", "Mundo Perdido" e o mais recente, finalizado ontem no dia de Natal, "Linha do Tempo".

Confesso que não gostei muito de "Devoradores de Mortos" nem de "Homem Terminal". Porém, acho que o motivo está mais relacionado ao momento em que os li do que com os próprios livros. "Homem Terminal" eu li após ter lido "Sob a Redoma", livro do Stephen King que eu adorei e que me prendeu de um jeito que eu devorei as mais de 900 páginas em poucos dias. Ainda empolgado com o estilo prolixo do Stephen King, achei "Homem Terminal" muito enxuto, com as coisas acontecendo rápido demais. Já a leitura de "Devoradores de Mortos" foi prejudicada pelo momento. Estava escrevendo minha dissertação, tentando implementar umas rotinas no código fonte do meu trabalho, servindo de motorista pra levar minha mãe aos médicos dela, ou seja, não tinha muito tempo para me concentrar na leitura. Então acabou que li tão a prestação que a leitura não se desenvolveu.

"Mundo Perdido" e " Linha do Tempo", por outro lado, eu adorei. Ambos eu li nessa época de final de ano, o primeiro ano passado e o segundo esse ano. Assim, aproveitando o tempo livre devido ao recesso da Universidade, pude me deleitar melhor com essas incríveis histórias saídas da mente criativa do Michael Crichton. "Mundo Perdido" em nada lembra a péssima continuação cinematográfica de mesmo nome. Com história bem diferente, apesar de algumas semelhanças, e muito melhor, Michael Crichton mostra como se faz uma continuação de um clássico mantendo o mesmo nível.

 
"Linha do Tempo", o mais recente lido por mim, tem um ritmo tão frenético que, apesar de estar com a corda no pescoço por causa da qualificação do doutorado, não consegui largar. Nele um grupo de historiadores está fazendo uma escavação em um sítio histórico na França. Esse sítio histórico é formado por dois castelos que ficam em margens opostas de um rio, um monastério e um moinho que servia de ponte. Patrocinado pela ITC, uma empresa americana que atua na área de tecnologia quântica, o projeto coordenado pelo professor Johnston sofre uma reviravolta quando os historiadores começam a desconfiar que a ITC está escondendo o real motivo das pesquisas. Após ir tomar satisfações com a empresa, o professor Johnston fica incomunicável com o grupo, até que eles encontram uma mensagem datado do ano de 1357 com a letra do professor pedindo ajuda. Essa é a deixa para 4 dos seus alunos irem ajudá-lo. Contando apenas com 37 horas os 4 alunos são enviados pela ITC ao passado para tentar resgatar o professore e trazê-lo de volta para o presente.

Uma das qualidades que eu mais admiro no Michael Crichton é a pluralidade dos seus livros. Cada um tem um tema completamente diferente do outro, com a tecnologia servindo como tema recorrente nos seus livros. Porém, mesmo com assuntos tão diversos, a qualidade na narrativa é sempre envolvente e de excelente qualidade. 

16 de nov de 2014

[Nostalgia/Cinema] Se Brincar o Bicho Morde


Estava eu ontem zappeando pelos canais da TV quando me deparo na FOX com o filme “Se Brincar o Bicho Morde”. Imediatamente voltei uns 15 anos no tempo quando vi esse filme pela primeira vez. Ele, junto de “Pisando na Bola” e “O Pequeno Grande Time” eram os filmes que envolviam crianças e esportes que eu mais gostava. Por sinal, nos idos dos anos 90, esse era um tema recorrente no cinema. Acho que praticamente todo tipo de esporte deve ter tido um filme.

“Se Brincar o Bicho Morde” eu acho que vi pela primeira vez no Intercine numa madrugada durante as férias e passei anos sem saber o nome correto dele. Durante anos achei que o nome era “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”. Como meu acesso à internet era mínimo e o conteúdo disponível na rede igualmente mínimo, demorei anos até por acaso rever nos Telecines e finalmente conseguir gravar em VHS para poder rever o quanto quisesse.


A história gira em torno de Scott Smalls, um garoto que muda de cidade com sua mãe e o padrasto. Na cidade nova, ele enfrenta o problema de 9 entre 10 garotos, começar novas amizades. No novo endereço, ele encontra um grupo de garotos cujo hobby é jogar baseball nas horas vagas. Apesar da resistência inicial, ele é aceito no grupo e passa a viver um verão maravilhoso com muitas aventuras e iniciações. A cena do novo amigo dele de óculos roubando um beijo da salva-vidas da piscina pública pra mim, um garoto na época era de uma audácia sobrenatural.

Porém, nem tudo são flores no verão de Smalls. Após Benjamin Franklin Rodriguez, o garoto bom de bola que todo os outros garotos idolatravam, conseguir o feito de destruir uma bola com uma rebatida, o pobre Smalls tem a genial ideia de pegar uma bola da coleção de itens esportivos do padrasto. Para o azar do garoto que não entendia nada de baseball até aquele verão a bola tinha sido assinada por Babe Ruth, nada mais, nada menos que o melhor jogador de baseball de todos os tempos. Como não podia deixar de ser, Smalls rebate a bola para dentro da casa do vizinho, famosa por abrigar um cachorro que não deixa nada que entre no seu território voltar. Começa assim o plot principal do filme, que é a caça pela bola assinada.

Cheio momentos de crescimento pessoal, camaradagem, coragem e aventuras, esse filme foi um dos que mais me marcou na infância e que sempre que passa eu revejo, como aconteceu ontem.

Abaixo segue como os atores principais estão hoje em dia:

Smalls/Tom Guiry

Benjamin Franklin Rodriguez/Mike Vitar

Michael "Squints" Palledorous/Chauncey Leopardi

Wendy/Marley Shelton

Ham/Patrick Renna


Aproveitando o posto, segue o link para o download do filme por torrent e da legenda. Filme + Legenda