4 de mai de 2009

[Nostalgia/Quadrinhos] Dylan Dog e o banheiro maldito


Na minha adolescência tive muita, mas muita espinha. Minha mãe, que também havia tido muitas na juventude dela, logo que elas começaram a cobrir minhas costas de uma forma que um cego conseguiria ler, prontificou-se a me levar num dermatologista pra cuidar da acne.

Lembro que pelo menos um dia por semana eu era obrigado a ir ao dermatologista pra ele fazer a aplicação de um ácido pra esfoliar a pele. Sem falar na vacina que eu tinha que tomar toda vez que ia lá. Era um horror! Eu, acostumado a dormir até umas 10, 11 horas da manhã todo dia, tinha que acordar com as galinhas pra pegar carona com meu pai na ida dele ao trabalho. Mas o pior de tudo não era nem isso. Não era o ácido, as vacinas, ou o acordar cedo pra ir pra clínica. O pior de tudo era ter que tirar o ácido num banheiro minúsculo usando a água da pia, isso sim era terrível.

O médico aplicava o ácido, deixava agir por uns dez minutos, ficava conversando besteira que, invariavelmente, eu não prestava atenção, porque sempre ficava com a atenção voltada pra aquela babinha branca nojenta que ficava no meio da boca dele enquanto ele falava. Passado os 10 minutos lá ia eu sem camisa, com o corpo todo esbranquiçado, porque o ácido quando secava ficava com essa coloração, passando pela sala de espera sempre cheia de gente em direção ao banheiro.

Um vaso sanitário com uma mangueirinha do lado e uma pia, o banheiro se restringia a isso. Estando lá dentro começava a batalha pra tirar o ácido. Tentei de tudo lá pra me lavar, desde usar a mangueira, que depois de me deixar encharcado se mostrou uma péssima idéia, até usar papel higiênico molhado. Depois de algumas semanas e algumas tentativas frustradas até que consegui me virar bem, mas mesmo assim não era algo que eu gostasse de fazer.

Passei bem seis meses fazendo isso, se não mais, até que as vacinas começaram a ficar caras demais e o efeito ser nenhum. Na verdade minhas espinhas só fizeram aumentar. Então, resolvemos mudar de médico. No outro médico, dessa vez uma médica, o tratamento recomendado foi outro, mais “perigoso”, mas com efeitos mais rápidos e evidentes.


Hoje em dia todo mundo toma o famoso Roacutan. Apareceu uma espinha toma o Roacutan que melhora. Ta certo que estou exagerando bastante, mas na época em que fiz o tratamento ele não era tão massificado quanto hoje em dia. Hoje os dermatologistas o receitam mais facilmente, fazem as recomendações e pronto, naquela época tinha todo um mistério por trás dele, os possíveis efeitos colaterais, você tomava até com certo receio.

Receitado o remédio, comecei a tomá-lo. A coisa começou a melhorar e agora, ao invés de uma vez por semana só tinha que aparecer por lá uma vez por mês, ou era de 15 em 15 dias, não me recordo bem, e só pra ela poder analisar o processo de melhora.

Numa dessas visitas de rotina a clínica, enquanto esperava fui dar uma volta. Como a clínica fica dentro de um Shopping, tinha bastante coisa pra olhar, mas o que me interessava mesmo era a banca de revista que tinha naquele mesmo corredor. Olhando as revistas que tinha lá encontrei uma Herói que falava sobre algo que na época eu achei interessante, mas que hoje em dia eu não faço a menor idéia do que tenha sido, só sei que a comprei. Dentro tinha um caderninho de umas poucas páginas mostrando as revistas que a editora da revista, a Conrad, iria lançar dentre em breve. Nele tinha anúncio de Neon Genesis Evangelion, Vagabond e de uma HQ italiana sobre um investigador do pesadelo, um tal de Dylan Dog.

O caderninho tinha uma “amostra grátis” das histórias e a desse tal Dylan Dog mostrava uma mulher correndo desesperada, se trancando num banheiro enquanto era perseguida por um cara com uma tesoura. Eu, que já na época gostava de filmes de terror, quando li aquilo fiquei louco. Só tinha lido coisas de terror em algumas “Contos da Crypta” (acho que esse era o nome) que tinha pegado com um amigo meu certa vez. Então, não tive dúvida, assim que saiu na banca comprei.


“Johnny Freak” era o nome da história. Não era a da amostra grátis, na verdade a da amostra grátis foi a seguinte, “O Despertar dos Mortos Vivos”, mas mesmo assim foi uma história incrível que mostrava a história de um garoto sem as pernas que vivia trancado num porão e que após um incêndio consegui fugir e acaba encontrando Dylan Dog. Essa facilmente está entre as 10 melhores histórias do Dylan. A revista durou apenas seis números e deixou um gostinho de quero mais, porque todas as edições foram excelentes.

Dylan Dog é um perfeito Don Juan que conquista quase todas as suas clientes no final das histórias, o que é irônico, se levarmos em conta que ele foi feito tendo como base as feições de Rupert Everett, declaradamente gay (nada contra os gays, só não podia perder a piadinha infame). Mas ele não daria tão certo se não tivesse o auxílio do seu faz tudo, o Groucho. Evidentemente baseado no Groucho Marx, dos Irmãos Marx, ele é o contraponto engraçado nas tramas cheias de assassinatos e criminosos. Com suas piadinhas non-sense e seu humor destrambelhado, ele só me fez gostar mais ainda da revista, afinal um dos personagens do cinema que eu adorava faziam parte dela.

Depois de alguns anos a editora Mythos resolveu lançá-lo por aqui e prontamente fui comprando enquanto saía. Essa nova leva, a terceira aqui no Brasil, porque além da Conrad, no início da década de 90 a editora Record já havia se aventurado também, durou 40 números, com seus altos e baixos, mas sempre mantendo um nível bom. A revista parou de ser lançada, mas aos poucos fui adquirindo algumas edições antigas da Record e até umas edições italianas que eu “leio as figuras”, porém sempre na esperança de que ele volte a dar as caras aqui pelo Brasil e posso viver mais umas das suas incríveis aventuras.

6 comentários:

  1. Cara, eu também lia isso. Tinha o Martin Mistery também, que era no mesmo estilo. Teve até um crossover dos 2.

    PS: Meu comentário no outro post saiu errado hahahaha....é que geralmente o link pra comentário fica no fim do mesmo.

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  2. Aí,esse roacutan é caro?
    P.S:Adorei o blog e mesmo tendo 17 me identifico muito com a sessão Nostalgia.

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  3. Highlander, tenho esse crossover entre os dois aqui e é bem bacana, mas esse é toda minha leitura de Martin Mistery. Acho até o personagem interessante mas na época não me interessei muito em comprar.

    Quanto ao preço do roacutan, faz uns 8 anos que tomei então o preço deve estar muito diferente, mas acredito que não deve ser um preço inviável não. O maior problema é o tempo do tratamento que costuma durar uns 6 meses.

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  4. Po. Gostei do Blog... Visitarei mais vezes..


    E quanto ao Roacutan... Terminei o tratamento essa semana por incrivel que pareça...

    A Caixa com 20 mg [ESSA DA FOTO], paguei R$ 120,00.

    Mas Lembrando que tambem se consegue pelo SUS de sua CIDADE !


    E digo. Vale a pena !

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  5. Nunca li nada de Dylan Dog, então vou falar só do Roacutan. Na época que usei (2003 se lembro bem) ele também ainda não era tão popular. Foi muita sorte eu ter usado por que, tirando uma fase de alguns meses, passei minha adolescência sem grandes problemas com espinhas, felizmente!

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