Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

5 de dez. de 2019

[Cinema] Parasite (2019)


Há algum tempo, por meio de um grupo sobre quadrinhos, eu fiquei sabendo que ia ser lançado um filme coreano chamado Parasite. Na época devem ter comentado que o filme não tinha nada a ver com o mangá de mesmo nome que foi lançado há algum tempo pela editora JBC. Mas por algum motivo meu cérebro registrou como sendo uma adaptação.

Avançamos no tempo até essa semana, quando eu recebo um e-mail do Tracker que eu uso para "adquirir de forma alternativa" filmes asiáticos e me bate a curiosidade de saber se o filme já está disponível. 

Pra minha felicidade ele já estava disponível. 30 minutos depois o filme já estava no HD externo ligado à TV esperando que eu tivesse um momento livre para assistí-lo. Fato este que ocorreu essa semana....e ainda bem que aconteceu.

De cara posso fazer dois comentários. Primeiro que o filme não tem nada a ver com o mangá. Segundo que Parasite é um filmásso. 

Em Parasite (2019), filme dirigido por Bong Joon-ho, e ganhar de diversos prêmios, dentre ele a Palma de Ouro de Cannes, a história gira em torno de duas famílias coreanas. Uma pobre, os Kim, e uma rica, os Park. Pai, mãe e dois filhos. Uma menina e um menino, em ambos os casos. 

Um dia, um amigo do filho da família Kim, faz uma visita e comenta que era tutor da filha dos Park, mas que teria que viajar pra estudar e sugere que ele fique no seu lugar. Após uma entrevista bem sucedida o rapaz começa a trabalhar como tutor, e uma vez dentro da casa dos Park, começa a por em prática um plano pra empregar os outros membros da família, que um a um vão assumindo empregos junto da família Park, e passando a agir feito parasitas. A partir daí a história se desenvolve com algumas reviravoltas importantes que pegam o expectador totalmente de surpresa.

O filme é na verdade uma grande metáfora à luta de classes. Ao ponto de no final você se questionar quem realmente são os parasitas na história. 

Apesar dos temas abordados, ele não é chato ou pedante. Muito pelo contrário. O filme mescla bem doses de humor e de Thriller, conseguindo prender o expectador do início ao fim, apesar dos 120 min do filme.

17 de nov. de 2014

[Nostalgia/Cinema] Se Brincar o Bicho Morde


Estava eu ontem zappeando pelos canais da TV quando me deparo na FOX com o filme “Se Brincar o Bicho Morde”. Imediatamente voltei uns 15 anos no tempo quando vi esse filme pela primeira vez. Ele, junto de “Pisando na Bola” e “O Pequeno Grande Time” eram os filmes que envolviam crianças e esportes que eu mais gostava. Por sinal, nos idos dos anos 90, esse era um tema recorrente no cinema. Acho que praticamente todo tipo de esporte deve ter tido um filme.

“Se Brincar o Bicho Morde” eu acho que vi pela primeira vez no Intercine numa madrugada durante as férias e passei anos sem saber o nome correto dele. Durante anos achei que o nome era “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”. Como meu acesso à internet era mínimo e o conteúdo disponível na rede igualmente mínimo, demorei anos até por acaso rever nos Telecines e finalmente conseguir gravar em VHS para poder rever o quanto quisesse.


A história gira em torno de Scott Smalls, um garoto que muda de cidade com sua mãe e o padrasto. Na cidade nova, ele enfrenta o problema de 9 entre 10 garotos, começar novas amizades. No novo endereço, ele encontra um grupo de garotos cujo hobby é jogar baseball nas horas vagas. Apesar da resistência inicial, ele é aceito no grupo e passa a viver um verão maravilhoso com muitas aventuras e iniciações. A cena do novo amigo dele de óculos roubando um beijo da salva-vidas da piscina pública pra mim, um garoto na época era de uma audácia sobrenatural.

Porém, nem tudo são flores no verão de Smalls. Após Benjamin Franklin Rodriguez, o garoto bom de bola que todo os outros garotos idolatravam, conseguir o feito de destruir uma bola com uma rebatida, o pobre Smalls tem a genial ideia de pegar uma bola da coleção de itens esportivos do padrasto. Para o azar do garoto que não entendia nada de baseball até aquele verão a bola tinha sido assinada por Babe Ruth, nada mais, nada menos que o melhor jogador de baseball de todos os tempos. Como não podia deixar de ser, Smalls rebate a bola para dentro da casa do vizinho, famosa por abrigar um cachorro que não deixa nada que entre no seu território voltar. Começa assim o plot principal do filme, que é a caça pela bola assinada.

Cheio momentos de crescimento pessoal, camaradagem, coragem e aventuras, esse filme foi um dos que mais me marcou na infância e que sempre que passa eu revejo, como aconteceu ontem.

Abaixo segue como os atores principais estão hoje em dia:

Smalls/Tom Guiry

Benjamin Franklin Rodriguez/Mike Vitar

Michael "Squints" Palledorous/Chauncey Leopardi

Wendy/Marley Shelton

Ham/Patrick Renna


Aproveitando o posto, segue o link para o download do filme por torrent e da legenda. Filme + Legenda

5 de ago. de 2013

[Nostalgia/Cinema] The Creepy Collection, plagiando por hobby


Há uns 10 anos, quando eu comprei o meu primeiro gravador de CD, finalmente tive internet boa (leia-se não discada com 256 kbps) e descobri que dava para gravar filmes em um CD e assisti-los pelo aparelho de DVD, resolvi que ia aprender como se fazia os tais VCDs. De lá pra cá mudei do VCD para o DVD e só não passei pro Blu-ray por não ter mais saco de ir procurar como faz, por me contentar com os DVDs e por não ter um gravador, sem falar de nunca ter vista BluRay virgem à venda (tá certo que eu também nunca procurei). Porém, uma coisa que nunca mudou foi o fato de eu normalmente fazer uma capa personalizada pro filme.

Normalmente, os filmes que eu transformo em DVD são filmes de terror, isso por dois motivos simples. O primeiro é que este é um dos meus gêneros preferidos, e o segundo é o simples fato de que muitos filmes clássicos de terror não saíram em DVD aqui no Brasil, ou se saíram são de péssima qualidade. Não que eu faça com uma qualidade melhor, mas pelo menos eu faço do jeito que eu quero.

No início as capas eram simples adaptações/traduções das capas das versões lançadas no exterior. Porém, de uns tempos pra cá venho tentando criar uma capas mais customizadas e seguindo um projeto gráfico. E como ando meio sem tempo e sem saco de fazer os DVDs, tenho feito as capas de alguns filmes que eu gosto só pelo simples prazer de fazer.

Essa ideia de um projeto gráfico tem um único culpado, o The Criterion Collection.



Uma das coisas que eu gostaria que tivesse por aqui no Brasil é um The Criterion Collection da vida. E nem é muito pelo acervo de filmes clássicos e modernos contendo vários extras, tudo isso com o mais alto padrão de qualidade. E sim pelo projeto gráfico belíssimo que os DVDs possuem. Desde as capas normalmente lindas que fogem do padrão poster de cinema até a padronização simples mas elegante e funcional que eles possuem. Como exemplo do que eu digo seguem algumas capas da Criterion.



Procurando por títulos da Criterion no Google, descobri que muita gente tem como hobby criar suas próprias capas seguindo o template dela. É mais fácil encontrar imagem de capa customizada do que das originais. Com essa ideia em mente resolvi fazer as minhas versões também. Como ia focar mais em filmes de terror resolvi chamar ao invés de Criterion Collection, chamar de Creepy Collection, pra poder ter haver com o temas, mas ainda poder me aproveitar do "C" da logomarca. Dito isso segue algumas das minhas tentativas.

Dia dos Namorados Macabro


Ataque dos Tomates Assassinos
 

Pelo Amor e Pela Morte
 

Perdidos no Vale dos Dinossauros


Videodrome
 

O Incrível Homem que Derreteu
 

Suspiria 

5 de dez. de 2012

[Cinema] O FIlho de Rambow



Lá em 2008, zapeando por alguns blogs que eu costumava visitar na época encontrei um post que falava sobre “Os melhores 19 filmes que você não viu em 2007”. Fiquei curioso com o despautério e a pretensão dele de me mostrar 19 filmes que eu não tivesse visto. Depois de olhar os filmes, enfiei o rabo entre as pernas, metaforicamente, e admiti que realmente não tinha visto nenhum. Procurei encontrar todos, assisti mais ou menos a metade e a partir dali todo começo de ano fico esperando ansiosamente quais os 19 filmes que eu não vi no ano anterior.

É por causa dessa lista que assisti alguns dos meus filmes preferidos. Dentre eles estão: Across the Universe (Across the Universe, 2007); Morte no Funeral (Death at Funeral, 2007); Fido – O Mascote (Fido, 2007); Nick e Norah – Uma Noite de Amor e Música (Nick and Norah's Infinite Playlist, 2008); Lunar (Moon, 2009); O Primeiro Amor (Flipped, 2010); Um Novo Despertar (The Beaver, 2011) e muitos outros que eu poderia listar aqui. Mas um dos meus preferidos é O Filho de Rambow (Son of Rambow, 2008).

Imagine fazer parte de uma família cujo culto religioso proíbi terminantemente que você veja filmes ou televisão. Bem, isso é o que acontece com o pequeno Will Proudfoot, que nem os vídeos educativos apresentados na escola ele pode ver, tendo que ficar esperando no corredor até o filme acabar. É numa dessas esperas que ele conhece Lee Carter, o garoto mais encrenqueiro da escola, que óbvio tinha sido expulso de sala. 


O filme se passa nos anos 80 e Will acaba indo parar na casa de Lee Carter e assistindo, meio que sem querer, uma versão pirata de "Rambo – Programado para Matar" que Lee Carter tinha gravado no cinema para o irmão que ele idolatra e faz tudo pra agradar. 

Qualquer criança após ver um filme estilo Rambo sai por aí querendo se meter em aventuras e enfrentar todos os bandidos que existem no mundo. Basta uma fita na cabeça e o menino se torna o próprio Rambo. Com Will não foi diferente e ele, imaginativo e criativo do jeito que é, se imagina vivendo várias aventuras na pele do seu heroi. Lee Carter, cujo hobby é fazer filmes caseiros para participar de um concurso da BBC encontra em Will a veia criativa que estava faltando para que ele possa ganhar o concurso e o convence a ser o roteirista e ator principal do seu mais novo filme, "O Filho de Rambow".


A gravação do filme pelos dois funciona como pano de fundo para mostrar o nascimento e o desenvolvimento de uma grande amizade que não fosse o filme, provavelmente, nunca ocorreria. Durante o filme vemos a transformação das personagens. O tímido e introspectivo Will, graças à nova amizade, às filmagens e ao status na escola que veio junto com ela, vai aos poucos vencendo a timidez, enquanto que o valentão Lee Carter, aos poucos vai se “civilizando”, tornando-se mais sociável e cooperativo. Mas, o fato mais importante da amizade entre eles é mostrar-lhes que têm com quem contar, já que as famílias desestruturadas de ambos não servem muito nesse quesito.


O Filho de Rambow é um filme excelente que retrata muito bem uma época que pra muitos é a década perdida, mas que para os jovens adultos de hoje foi uma época cheia de aventuras e descobrimentos, chamada infânica. E é isso que faz o filme ser marcante, pois, mesmo se passando em outro país, outra cultura, não tem como quem assisti não se lembrar de momentos parecidos da própria infância.

2 de set. de 2012

[Cinema/Nostalgia] A Ilha do Dr. Constrangimento


Há algum tempo estava eu dando uma olhada no excelente blog “Gato Branco em Fuligem de Carvão” quando vi uma postagem sobre o livro “A Ilha do Dr. Moreau”, e vi que a editora Alfaguara tinha lançado uma edição nova. Sempre tive vontade de ler H.G. Wells, só nunca tive um livro dele em mãos pra ler. O que conheço das principais obras do autor (A Máquina do Tempo, 1985A Ilha do Dr. Moreau, 1896; O Homem Invisível, 1897  e  A Guerra dos Mundo, 1898) é devido as várias adaptações cinematográficas já feitas. O filme A Ilha do Dr. Moreau (1996), pelo que eu me lembro, vivia passando no SBT na Tela de Sucessos e eu vivia vendo. Nunca via desde o começo, é bem verdade, mas sempre via de onde pegava. O filme, apesar de não ser uma obra-prima sempre me agradou. Mas o que me chamou a atenção quando li o post não foi o desejo de ler o livro ou de rever o filme, e sim, a memória de um momento bem constrangedor pelo qual passei. 

Quando menor sempre ia com meu pai alugar filmes na locadora até o dia que o videocassete quebrou e ele assinou a NET. Como havia, entre várias coisas, filmes na programação ele não se deu o trabalho de comprar outro. E foi assim durante a metade final da década de 90 até que em 2000, eu acho, no meu aniversário de 15 anos eu pedi um videocassete de aniversário pra poder ver as fitas gravadas que eu tinha em casa. 

Um ano depois, meu aniversário caiu num final de semana e como era comum nessa época fomos passar o final de semana na casa de praia de um amigo dos meus pais. Normalmente depois de almoçar eu ficava vendo televisão no sofá até cochilar. Nesse dia, sou acordado pelo amigo do meu pai dizendo que tinha sabido que era meu aniversário e que tinha um presente pra mim. Ele então em entrega uma embrulho bem grande com 4 fitas VHS dentro. Claramente ele tinha descoberto meu aniversário 15 minutos antes e pegou essas fitas que estavam encalhadas num canto pra me dar. Mas de qualquer forma eu gostei do presente. Ainda estava empolgado com o videocassete e os filmes que ele tinha me dado (Face a Face com o Inimigo, Beleza Roubada, O Último MatadorA Ilha do Dr. Moreau) pareciam bons.

Ele me entregou o embrulho e voltou pra beber com meu pai, enquanto que eu ficava “alisando” meus novos filmes. Li a sinopse de cada um, admirei a capa e programei mentalmente a sequência em que eu iria vê-los. Como eu sabia que eram usados tirei da caixa pra ver o estado deles e foi aí que começou o momento constrangedor. 

Quando tirei o filme do H.G. Wells da caixa vi que não era ele quem estava lá e sim um pornô com um título escrito a mão “Minha mulher alguma coisa que eu não lembro mais”. Por um momento pensei: “Que massa me dei bem!”. Queria ver “A Ilha do Dr. Moreau”, mas um pornô, pra um garoto de 15/16 anos era muito mais útil. Um instante depois veio outro pensamento: “E se isso for um filme caseiro deles por isso tava escondido na fita do Dr. Moreau? Ele vai perceber que sumiu e vai saber que está comigo”. Sei que durante uns minutos fiquei ponderando o que fazer com a fita. Acabou que venceu a ideia que eu iria vê-lo em ação com a esposa e resolvi devolver. Assim, quando ele passou na sala novamente cheguei para o amigo do meu pai e disse que achava que a fita do Dr. Moreau estava errada. Ele olhou, viu a fita, ficou super constrangido, assim como eu, e disse que ia trocar por outra, o que de fato ele fez, já ainda hoje tenho o “O Cão de Guarda” ao invés de “A Ilha do Dr. Moreau” aka “Minha mulher alguma coisa que eu não lembro mais”.


Quando cheguei em casa parei pra pensar no assunto e era óbvio que ele estava me dando a fita de propósito. Na minha ingenuidade na hora não percebi. Só sei que todos os outros filmes eu assisti umas 10 vezes, já o Cão de Guarda eu nunca vi de raiva.

6 de fev. de 2011

[Cinema/Desenhos] Os Irmãos Marx e uma escada de 99,5 degraus


Ao contrário do Natal, onde todos os filhos tem que estar junto e sempre tem uma ceia farta, aqui em casa, o Ano Novo foi sempre uma coisa meio morta. Era cada um por si, e geralmente eu passava em casa sem fazer nada, ou vendo os fogos na TV. Quando a coragem permitia andava os 4 quarteirões que separam minha casa e a praia, mas logo depois que acabava voltava. A coisa era tão séria que já passei a virada de ano vendo Jogos Mortais. Hoje em dia melhorou bastante, deposi que conheci a minha princesa.

Num desses Anos Novos estava eu em casa fazendo não lembro o que quando ouço meu pai gargalhando na sala. Como meu pai não é uma pessoa que gargalha o tempo todo fui dar uma olhada no que estava acontecendo. Quando chego lá ele esta vendo um filme em preto e branco com um cara com um bigode enorme claramente pintado fumando um charuto e disparando piadas mais rápido que o Clint Eastwood nos seus filmes de cowboy.


Acabei vendo com ele o final do filme, e o seguinte, e o seguinte. Durante os filmes descobri que se tratava de uma maratona dos Irmãos Marx. Mas aí veio a pergunta. Quem diabos são os Irmãos Marx? Nunca tinha ouvido falar naquela trupe, mas foi amor a primeira vista.

Um maluco com um enorme bigode pintado fumando um charuto e soltando piadas, um mudo com cara de maluco que gosta de infernizar a vida dos outros e usa buzinas pra se comunicar e gosta de tocar harpa, um malandro que gosta de se dar bem em cima dos outros e nas horas vagas gosta de tocar piano, e um galã. Esse quarteto me encantou naquela madrugada do primeiro dia de um ano que já passou há algum tempo. Groucho, Harpo, Chico e Zeppo, esses eram respectivamente seus nomes.

Depois daquela noite toda vez que passava um filme deles eu via e sempre ria mesmo após a quarta vez. Naquela época eu não tinha DVD ainda, apenas um VHS que eu adorava usar pra gravar os filmes que eu gostava, então é claro que quando surgiu a oportunidade eu gravei. Dos 3 que passaram, 2 eu consegui gravar, o outro, o que eu tinha pego pela metade quando ouvi as gargalhadas do meu pai nunca mais passou e eu não consegui gravar. Mas “Gênios da Pelota” e “Batutas Burlescos” já davam pra me fazer rir por horas.


Com o passar dos anos meu VHS foi perdendo espaço e resolvi que era hora de procurar os filmes pra baixar e, quem sabe, conseguir ver “Diabo à Quatro” inteiro. Procurei pelos filmes no PirateBay e encontrei pra baixar em DVD. Minha internet não era uma maravilha na época, mas os filmes valiam a pena baixar, então comecei a dura batalha de baixar 4,7 GB com uma internet de 1 MB.

Enquanto baixava o arquivo percebi que ele tinha sido postado primeiramente num site. Peguei o endereço e fui dar uma olhada pra ver o que mais de interessante tinha no site. Descobri que era um site espanhol só com DVD pra baixar. Felizmente muitos dos DVDs que lá existiam – existiam porque o site ao que parece fechou – possuíam legenda em português de Portugal. Não era a perfeição, mas era melhor que nada.


Baixei muita coisa por lá. Desde uma série de episódios de suspense apresentados pelo Hitchcock, uma dúzia de filmes dos Irmãos Marx, além de uma dúzia de filmes clássicos que não encontrava por aqui. Vale lembrar que na época não era tão fácil com hoje achar filmes lançados por aqui para baixar, então o site era uma maravilha. Porém, o que fiquei mais feliz de baixar não foi um filme ou uma série, e sim um anime que eu gosto. Kimagure Orange Road.

Minha história com Kimagure Orange Road começou por acaso. Estava numa fase de querer ver todos os animes que existem, então via muuuita coisa. Estava baixando outro anime que já nem lembro quando vi pra baixar Kimagure Orange Road, ou KOR para os íntimos. A história parecia meio bobinha na época, afinal, a história sobre uma família com poderes psíquicos que vive se mudando de cidade porque descobrem seus poderes, e o triângulo amoroso que o filho mais velho vive na nova cidade não parece uma obra prima, mas mesmo assim resolvi arriscar. E como valeu a arriscada.


Nos primeiros episódios já percebi que ia adorar o anime. O personagem principal, Kyosuke conhece por acaso uma garota, Madoka, por quem se apaixona. No primeiro dia de aula descobre que ela é da sua turma, mas que ela é meio barra pesada e que dentro do colégio ela não dá a mínima pra ele. Pra complicar as coisas ele acaba beijando sem querer uma outra garota, Hikaru, e ela logo se apaixona por ele. Infelizmente, ou felizmente por que isso é o que torna a série o que ela é, Hikaru é amiga de infância de Madoka. Está montado o triângulo amoroso que vai durar os 48 episódios e que vai levar Kyosuke quase a loucura.

Gosto de KOR porque Kyosuke é um banana, mas um banana com coração. Ele se preocupa com as duas e não quer ferir nenhuma, o que raramente acontece. O normal é ele pisar na bola e magoar uma das duas. Outro ponto que eu achei que seria negativo no começo, mas que acabou se mostrando um trunfo foi os tais poderes psíquicos da família. A série, felizmente não foca nos poderes dele e sim no relacionamento e nas trapalhadas amorosas de Kyosuke. Os poderes entram apenas pra ajuda-lo em algumas situações. Como ter que ir de um lugar para o outro num segundo e outras coisas.


Porém, não foi fácil ver KOR. A pessoa que legendava a série, ao que parece desistiu de fazê-la no meio, e como era ele quem tinha os DVDs originais de onde tiravam os episódios a coisa ficou parada por muito tempo. Aos poucos os episódios forma voltando a aparecer, mas eu não consegui esperar para saber como terminava. Como o anime foi baseado no manga de mesmo nome, resolvi que seria interessante lê-lo. 18 volumes em inglês para alguém só com o básico foi um trabalho meio duro. Mas valeu cada esforço, porque o final do manga é perfeito. O do anime já não é tão bom quanto.

Li o manga e terminei de ver o anime em inglês. Depois revi em português. E quando descobri no site que tinha pra baixar o DVD com legenda em português, nem o fato de ser 10 DVDs me parou. Baixei todos com velocidade média de 10 kb/s, ou seja, levou uma eternidade, mas consegui. Hoje os DVDs estão aqui na minha estante, com capinha, bonitos e prontos para eu ver quando quiser.

Aproveitando, mais um da série "Um dia ainda terei dinheiro vadio pra gastar com o que eu quiser".


21 de jan. de 2010

[Cinema] Zumbilândia, o futuro que eu espero não ver


Filme de zumbi é algo que me atrai. Não sei exatamente porque, mas é algo que sempre que ta passando e eu tenho a chance de ver eu assisto. E eu só coloquei esse “e eu tenho a chance de ver” porque minha namorada odeia, então se eu tiver com ela infelizmente não tem como assistir. Porém, regras existem para serem quebradas, e como já aconteceu com Fido, excelente filme que eu já comentei aqui no blog e que se você ainda não viu deve ver urgentemente, consegui fazê-la assistir um filme de zumbi, e que, assim como Fido ela adorou. O bravo guerreiro se chama Zumbilândia (Zombieland, 2009), filme do diretor Ruben Fleischer que me pareceu uma mistura do jogo Left 4 Dead e da HQ Os Mortos-Vivos. O que me agradou bastante visto que gosto de ambos.

No filme, assim como em quase todo filme de zumbi temos um estágio de contaminação muito avançado onde quase toda a população terrestre (pelo menos a dos EUA que é onde se passa o filme), foi contaminada e virou zumbi. Só um ou outro gato pingado está livre do terrível mal.


Um desses gatos pingados é Columbus (Jesse Eisenberg), um garoto nerd típico que vem sobrevivendo ao caos que se tornou o mundo utilizando-se de simples regras que, em minha opinião, deveriam ser ensinadas no colégio, porque um dia os zumbis virarão realidade. Posso não estar aqui pra ver, mas isso acontecerá. Dentre essas regras temos, por exemplo: Tenha boa condição física, sempre acerte duas vezes, use cinto de segurança, e por aí vai. Regras simples, mas que durante o caos em que vai se transformar o mundo você não seguirá.


Durantes as andanças, Columbus, tentando sobrevir e reencontrar os pais encontra Tallahassee (Woody Harrelson), um valentão que quando não está caçando zumbis está caçando o seu bolinho preferido que, ao que parece está se tornando realmente difícil de encontrar. Como estavam indo na mesma direção Columbus pega uma carona com ele. Durante a viagem eles ainda encontram as irmãs Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), e os planos mudam. Eles agora vão em busca do único lugar da terra onde não existem zumbis. Como não podia faltar no meio do caminho eles encontram um monte de zumbis que eles terão que encarar e uma personalidade famosa que faz uma aparição bastante inusitada na visita deles a Hollywood.

Zumbilândia é um filme bastante interessante, que mescla bem o terror e a comédia, assim como fez o filme inglês Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004). Altamente recomendado para quem gosta de terror, comédia ou que está apenas procurando algo diferente para ver.


Pra terminar, fica aqui uma imagem que eu encontrei a algum tempo na internet. Atualmente é apenas uma imagem, mas eu recomendo que você imprima uma e leve sempre na carteira, assim como eu. Nunca se sabe quando ela se tornará uma cartilha preciosa.


1 de set. de 2009

[Cinema] Zumbi bom é zumbi vivo... morto-vivo.

“Quando não houver mais espaço no Inferno, os mortos caminharão sobre a Terra.”
Foi com essa tagline que George A. Romero nos brindou com o clássico filme de zumbis “Despertar dos Mortos” (Dawn of the Dead, 1978). Zumbis são temas freqüentes em filmes de terror desde o início do cinema. Se considerarmos zumbi todo morto-vivo, Frankenstein poderia ser considerado um dos primeiros a dar as caras no cinema. Porém, foi a versão de Romero para esses seres, que vivem após morrerem, que se tornou a visão geral.

Que um dia a terra será tomada por zumbis, isso é fato, só não acredita quem não quiser. Mas e se a invasão pudesse ser contida? E melhor ainda, se pudéssemos tornar os zumbis nos sos servos? Não eu não sou maluco por pensar essas coisas, alguém já pensou antes de mim. O roteirista do filme Fido.


Uma nuvem radioativa invade os céus da Terra e provoca a volta daqueles que já haviam morrido. Têm-se início assim as Guerras Zumbis, onde a população terrestre luta contra os zumbis que estavam se levantando, porém com um agravante, quem morre do lado “vivo”, volta para somar às fileiras dos “morto-vivos”.

Felizmente, o Dr. Ryan Hold Geiger e sua empresa a Zomcon descobrem que para matar eficientemente um zumbi, basta destruir seu cérebro. Com isso a guerra pôde ser vencida, e para garantir a segurança, as cidades foram circundadas por cercas e muros que mantinham os zumbis restantes fora da zona urbana. Porém, ainda havia um problema. Quem morria dentro do perímetro protegido logo virava zumbi também. Foi então que a Zomcon desenvolveu o “Colar de Domesticação”, colar este que quando colocado no pescoço de um zumbi omiti seus instintos naturais e os torna calmos e subservientes. Com isso os zumbis puderam ser integrados à sociedade, realizando serviços domésticos e outros como de limpeza, jornaleiro, leiteiro, etc...


É nesse mundo que vive Timmy Robinson (K'Sun Ray) de 11 anos e seus pais, Helen Robinson (Carrie-Anne Moss) e Bill Robinson (Dylan Baker). Eles são uma típica família de classe média americana morando num típico subúrbio dos anos 50. As coisas começam a mudar quando se muda para a casa vizinha um alto funcionário da Zomcon. Os Robinson são a única família da rua sem um zumbi doméstico, e pra não ficar pra trás e ser alvo de falação por parte dos novos vizinhos, Helen adquiri um, mesmo a revelia de Bill.

Fido (Billy Connolly). É este o nome que o zumbi recebe do pequeno Tommy.

Com a chegada do zumbi também chegam alguns problemas. Certo dia, passeando pela praça, Tommy joga uma bola de beisebol para Fido pegar que cai aos pés da vizinha velha chata, Sra. Henderson (Mary Black). Esta, assustada com a chegada repentina do zumbi, começa a espancá-lo com o andador, desativando sem querer o colar de Fido. Sem o colar os instintos de Fido vêm à tona e a Sra. Henderson é estraçalhada. Tommy pra não ser culpado e acabar sendo jogado pra fora da cerca (pena comum para quase todo tipo de delito) apenas foge e não conta nada a ninguém, o que acaba se mostrando uma péssima idéia, pois a coisa acaba saindo um pouco de controle e cada vez mais zumbis aparecem.

Porém, enquanto as suspeitas não recaem sobre Tommy sua vida segue normal com seu primeiro amigo. Seguem até melhor para Fido, uma vez que Bill é um pai e um marido ausente, e Helen acaba se apegando a ele também. Mas não por muito tempo, pois em breve Tommy terá que pedir ajuda ao seu vizinho, Sr. Theopolis (Tim Blake Nelson) e a sua “namorada” zumbi, Tammy (Sonja Bennett), para salvar Fido.


Fido é uma divertida comédia de humor negro que foge do habitual e se mostra bastante interessante. Não é algo para se dar gargalhadas como num besteirol, mas dá pra se divertir com a relação do garotinho com seu amigo zumbi e o mundo maluco em que eles vivem.

29 de ago. de 2009

[Cinema] A Teoria Universal dos Filmes

Uma das coisas que eu e minha namorada mais gostamos de fazer quando estamos juntos é assistir filmes. Ela gosta mais dos clássicos, e das comédias românticas; já eu, gosto mais dos filmes de terror (quanto mais esquisito melhor) e das comédias clássicas da “Sessão da Tarde”, que não é mais apenas um bloco de filmes e sim um verdadeiro gênero.

Certa vez estávamos tentando descobrir o que ver, o que geralmente leva um certo tempo porque ambos somos indecisos nisso. Mas, dessa vez ela estava querendo ver um filme que, nas palavras dela: “Tem um cara, que conhece uma garota. Eles tem um monte de problemas, mas no final dá tudo certo”. Pensei um pouco e foi nesse ponto que surgiu a teoria universal dos filmes que desenvolvemos. Todos os filmes tem esse enredo, desde filmes de arte marciais, passando por comédias românticas até chegarmos aos filmes de terror. Todos se encaixam nesse perfil.

Estão duvidando? Me chamando de louco?! Pois bem, prestem atenção e vejam como de louca essa teoria não tem nada.

Vale lembrar que durante o texto serão dado alguns spoilers sobre o final deles, então se você ainda não viu algum desses filmes e não quer saber como eles terminam recomendo não prosseguir. Dado o aviso...

Uma Linda Mulher (1990)


Uma das comédias românticas mais clássicas e que catapultou Julia Roberts ao estrelato. Essa daqui é óbvia.
Tem um cara: Edward Lewis (Richard Gere)
Que conhece uma garota: Vivian Ward (Julia Roberts)
Eles tem um monte de problemas: Ele é um milionário e ela uma garota de programa o que torna o romance deles perante a sociedade não muito aceitável.
Mas no final dá tudo certo: Como quase toda comédia romântica eles superam seus problemas e acabam juntos.

Esse não teve nem graça. Comédias românticas são sempre iguais, só mudam o tema, o lugar e os personagens, de resto é igual.

Casablanca (1942)


Quem nunca ouviu falar de Casablanca? Um clássico! Pode até não ter visto, mas já ouviu falar, e se não viu está perdendo tempo, porque não é a toa que é considerado um dos melhores filmes já feito.

Tem um cara: Richard Blane (Humphrey Bogart);
Que conhece uma garota: llsa Lund Laszlo (Ingrid Bergman)
Eles tem um monte de problemas: Ele não podem ficar juntos porque ela está com outro e porque ela ta fugindo pra América correndo dos nazistas.
Mas no final dá tudo certo: Ela consegue fugir e ir pra América e ele continua vivo mesmo tendo ajudado dois procurados a fugir dos nazistas.

Pode não ter sido o final ideal pros dois, mas que deu tudo certo deu.

Sexta-Feira 13 (Qualquer um deles)


Pra terminar e provar que a teoria é universal e não aplicável só a dramas e comédias românticas nada melhor do que um terror cheio de sangue e mortes.

Tem um cara: Jason (no primeiro filme “o cara” seria a mãe dele, já que o Jason não aparece)
Que conhece uma garota: Qualquer uma das principais que é perseguida exaustivamente durante o filme todo e que no final acha que conseguiu matar ele, mas que no final das contas fez um serviço porco já que sempre tem uma continuação.
Eles tem um monte de problemas: Bem, o Jason tenta matar ela. Sem falar que ele mata todos os amigos dela.
Mas no final dá tudo certo: Ela sobrevive. Não sem um trauma pro resto da vida, mas sobrevive. E ele magicamente sempre volta no próximo filme, então deu tudo certo também.

3 de jul. de 2009

[Cinema/Nostalgia] Pague para Entrar, Reze para Sair


Eu até hoje fui 3 vezes a parques de diversão. Duas no antigo Playcenter e uma no que ficou no lugar dele o Mirabilândia. A primeira vez eu estava na casa de um amigo meu no dia em que ele foi, e acabei indo junto, a segunda foi na época em que eu fazia natação e fui de penetra junto com a colônia de férias que a academia fazia todo meio de ano e a terceira fui com minha namorada. Mas a que me marcou mais foi a primeira, apesar de todas terem sido especiais. Não por ter sido a primeira, também por isso, mas principalmente porque foi na época em que estavam tendo as Noites de Terror do Playcenter.

Acredito que foi nesse dia que eu comecei a gostar de filmes de terror.

O curioso é que quase não me lembro bem dos brinquedos que fui. Lembro que fui na montanha russa que na época pra mim era de virar o estômago e dar tremedeira nas pernas só de encarar, mas que hoje, uns 15 anos depois, parece brincadeira de criança. Com certeza fui em outros, mas o que eu realmente lembro é de como estava o parque naquele dia.

Quando chegamos ainda não tinha anoitecido, então o parque estava normal. Porém, por volta das 6 horas da tarde, depois do Sol já ter se posto, todas as luzes se apagaram. Dos alto-falantes veio o aviso de que os monstros estavam soltos pelo parque. Logo depois as luzes voltaram a acender e pura diversão. Eu devia ter entre 8 e 10 anos na época, morria de medo desse tipo de coisa então foi legal.

Jason, Drácula, Lobisomem, Freddy Krueger (que por sinal eu descobri depois que era namorado da empregada desse meu amigo), e toda essa variedade de criaturas que nos dão medo infestavam o parque. Correndo atrás das pessoas, ando sustos nelas, inclusive num conhecido meu que, já perto da hora de ir embora, descansava deitado numa barraca que vendia alguma coisa e não se apercebeu que tinha um dos monstros dentro dela.


Talvez seja por isso que um dos filmes de terror que eu mais gosto seja exatamente um que se passa num parque de diversão, mesmo ele sendo apenas um filme mediano. The Funhouse, que aqui no Brasil ganhou o genial nome Pague para entrar, Reze para sair.

Assisti ele pela primeira vez não lembro se na Globo ou se no SBT, só sei que era madrugada e que não peguei desde o começo. Depois dessa vez só vim ver de novo quando descobri um site chamado “Mina do Inferno”, que hoje em dia nem existe mais. Nele tinha várias filmes de terror a venda, dentre eles Pague para Entrar, Reze para Sair. Não pensei duas vezes, desembolsei 20 reais e comprei a cópia VHS do filme. Não sei se foi culpa do cara que me vendeu ou se dos Correios que ficou em greve na época (coisa que sempre acontece comigo quando espero alguma encomenda), só sei que a fita chegou mofada e com exatamente o começo que eu nunca tinha visto com problema. Só vim ver o filme todo alguns anos depois quando graças a internet consegui baixá-lo e ver integralmente.


Nele quatro adolescentes vão ao parque de diversões que havia chegado à cidade cuja fama não era muito boa. Havia boatos de que duas meninas teriam sido encontradas mortas nele.

No parque eles vão a várias atrações como um show de mágica, uma tenda de aberrações, carrossel, etc., até que um deles sugere que passem a noite na Funhouse, a casa de horrores do parque. Os outros três ficam meio relutantes, mas diante da genial argumentação que um primo teria feito isso em outro lugar e teria dado tudo certo eles resolvem ficar. Porém, como sempre a idéia não é boa, principalmente depois que eles vêem o “Frankenstein” do parque cometer um assassinato.


O filme dirigido por Tobe Hopper, que parece ter gastado todo o talento em Massacre da Serra Elétrica e na direção duvidosa de Poltergeinst, conta uma história simples, sem muitas inovações, mas que cumpre seu papel. Dá medo. Principalmente por mostrar um lado que pouco paramos pra pensar dum parque de diversões, o apagar das luzes. Tanto que, nesse época de preguiça criativa dos estúdios americanos, vai ganhar um remake. Só espero que não seja aos moldes de Dia dos Namorados Macabros, que tirando o 3D não se sustenta, porque se for, prefiro ficar com o original.

3 de mai. de 2009

[Cinema/Nostalgia] Lembranças do Incrível Homem que Derreteu


Quando eu era pequeno tinha uns gostos estranhos. Não que agora não os tenha mais, mas na época eles eram mais estranhos. Por volta dos nove, dez anos eu odiava a Globo. Não porque eu a achasse manipuladora, ou qualquer outra coisa que acham dela hoje em dia, mas simplesmente porque eu odiava a programação. Eu odiava novelas e se pensarmos que ela passa, e passava, 4 novelas de cerca de 1 hora por dia, temos 1/6 da programação com novelas. Porém, na época eu acordava 11 da manhã e ia dormir 11 da noite, então 1/3 do meu “dia” passava novela. Se pensarmos além, como eu estudava pela parte da tarde só podia ver televisão das 18 às 23h, o que dá 3 horas de novela, já que “Vale a Pena ver de Novo” não conta mais, dentre 5 horas possíveis. Então não é de estranhar que eu não gostasse do canal líder de audiência e preferisse assistir à TV Cultura com sua programação inesquecível pra mim que incluía Glub Glub, Cocoricó, Castelo Ra-Tim-Bu e Mundo de Beakman.

A única exceção que eu dava à Globo era no meu período de férias, porque só assim eu podia assistir “Sessão da Tarde”. Nessa época, quando em férias era rotina minha assistir o “Cinema em Casa” no SBT por volta das 13h30 e logo em seguida quando acabava, mudar pra Globo e assistir a mais um filme. Fazia isso quase todo dia e adorava, principalmente porque nessa época, meado dos anos 90, parece que quem escolhia os filmes tava pouco se importando pro conteúdo deles, então sempre tinha aqueles filmes de férias aonde uma turma de adolescentes ia pra uma praia americana dessas qualquer e ficava tentando perder a virgindade, sempre com muito conteúdo erótico e muitos seios de fora. Vale lembrar que na época a internet ainda era um sonho pelo menos pra grande parte das pessoas, e as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia.

Como já disse, parece que naquela época o Sílvio Santos tinha menos juízo do que o pouco que ele tem hoje. Lembro que certa vez estava assistindo TV e vi a chamada do filme que iria passar logo em seguida. Ele tinha o fantástico nome de “O Incrível Homem que Derreteu” (The Incredible Melting Man, 1977) e foi isso que me fez querer vê-lo. O filme era sobre um grupo de astronautas que partia numa viagem espacial pra Saturno, mas algo dava errado e apenas um dos tripulantes voltava vivo, e ainda por cima derretendo.
Esperei uma meia hora pelo começo do filme morrendo de ansiedade e já com medo pelo filme que viria. Desde sempre as empregadas domésticas não duravam muito tempo aqui em casa e nessa época já tinham decidido que não haveria mais, então era só eu e meu irmão na casa nesse dia. Pra aumentar o clima de terror ele tinha saído pra brincar e eu tinha ficado sozinho em casa. Era uma hora da tarde, mas mesmo assim eu estava com medo por causa do filme.


Passada meia hora o filme começa e depois da viagem pra Saturno, que é a cena de abertura do filme, já mostra o sobrevivente todo enfaixado no hospital. Alguns minutos depois, logo após um exame médico ele se revolta, levanta-se e tira as ataduras que cobriam o rosto. Nessa hora vê-se um close do seu rosto derretendo, todo desfigurado...realmente assustador. Depois de ver essa cena eu não consegui mais ver nada, o medo foi maior, desliguei a TV e saí correndo, só parei quando tinha chegado no térreo do prédio onde as outras crianças brincavam. E de lá pra cá nunca mais vi o filme nem fiquei sabendo se ele iria passar. Talvez se soubesse teria visto novamente.

Graças à internet essa semana eu consegui achar o filme pra baixar (já tinha baixado outra vez, mas como não tinha conseguido a legenda desisti de ver). Baixei-o e depois de por em dia alguns outros filmes resolvi finalmente vê-lo depois desses quase 10 ou 15 anos, nem me lembro mais.


O filme que me apavorou quando pequeno, hoje se mostrou um filme mais nojento do que aterrorizante. Ver o cara derretendo, perdendo partes do corpo aos poucos é bastante asqueroso. Mas, o filme em si não é ruim, é um filme “B” com elementos de ficção científica, conspiração e gore até bem interessante. Nele Steve West (Alex Rebar), o astronauta, único sobrevivente da missão espacial que foi até os anéis de Saturno, após retornar começa a derreter e a se transforma numa massa gosmenta de fluídos, músculos, carne e ossos partidos. Porém, além da sua pele, seu cérebro também começou a derreter e isso incitou nele instintos selvagens que fazem com que ele mate qualquer um que atravesse sua frente. Em sua perseguição estão, secretamente, o General Perry (Myron Healey) e o Dr. Ted Nelson (Burr DeBunning), que querem por um fim nas mortes violentas e esconder do público o verdadeiro fiasco que foi a missão espacial.

Hoje em dia seria impossível esse filme passar no horário que passou naquela época, em plena tarde, em plenas férias escola. Tenho minhas dúvidas até se ele passaria hoje em dia, independente do horário, pois naquela época, onde passava de tudo, ele já era politicamente incorreto, principalmente pela cena com três crianças tentando fumar, imagine hoje em dia.